Déjà Vu


Nota: ★☆☆☆

Anotação em 2007, com complemento em 2008: Este aqui é um filme típico, exemplar, emblemático do que anda fazendo boa parte do cinemão de Hollywood. É visualmente esplêndido, tecnicamente perfeito – e carece de idéias.

Ou, no mínimo, carece de boas idéias, ou de idéias sensatas.

A impressão que se tem é de que, na ânsia de bolar tramas que permitam fornecer às grandes audiências uma dose mastodôntica de explosões, tiros, perseguições de carros, cenas de ação, em suma, capazes de garantir grandes bilheterias, os estúdios entopem os roteiristas de ácido, alucinógenos de todos os tipos, vidros e vidros de criativol.

O resultado, muitas vezes, são histórias absolutamente malucas, implausíveis, inverossíveis, ou simplesmente imbecis.

É o caso aqui deste filme do inglês Tony Scott, o irmão de Ridley mais chegadinho a uma adrenalina do que a um sentimento humano.

Uma resenha no iMDB resume bem a trama: “Um agente da ATF (a agência federal para controle de álcool, tabaco e armas de fogo) viaja no tempo para salvar uma mulher de ser assassinada, apaixonando-se por ela durante o processo”.

Viagem no tempo, é? Volta ao passado para impedir que determinado fato que aconteceu passe a não ter acontecido? Ah, mas isso é simples: o Super-Homem já fez isso.

Aí é que está. Os roteiristas dos candidatos a blockbuster passaram a usar a lógica das histórias em quadrinhos nas histórias contadas sob uma forma aparentemente realista. Tanto que Denzel Washington, no papel do agente da ATF, não grita Shazam! e volta no tempo, o que seria mais simples, como o Capitão Marvel já fazia nos anos 30. Não; para voltar no tempo, ele usa todo um moderníssimo aparato tecnológico, máquinas digitais recém-desenvolvidas pelos cientistas pagos pelo governo americano.

Agora, o visual é sensacional. A seqüência de abertura – um imenso ferry-boat navega junto de Nova Orleans, a bomba colocada pelo terrorista explode, o ferry-boat explode, centenas de pessoas morrem – é de um brilho visual incrível, fantástico.

É essa explosão que nosso Denzel Washington, esse Super-Homem-Capitão-Marvel-Capitão-América de terno e gravata, vai fazer com que não tenha acontecido. A lógica? Que vá pro inferno.

Déjà Vu

De Tony Scott, EUA, 2006.

Com Denzel Washington, Paula Patton, Val Kilmer, James Caviezel, Adam Goldberg, Bruce Greenwood

Roteiro Bill Marsilii e Terry Rossio

Música Harry Gregson-Williams

Produção Jerry Bruckelmer, Touchstone. Estreou em São Paulo

Cor, 126 min.

19/1/2007.

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