Ama-me ou Esquece-me / Love me or Leave me


Nota: ★★½☆

Anotação em 2007, com complemento em 2008: Ama-me ou Esquece-me é a cinebiografia, romanceada, feita em 1955, de Ruth Etting, uma cantora de jazz dos anos 20, e seu relacionamento complicado e dramático com um gângster, Martin Snyder.

Doris Day está muito bem na ação, no drama, tanto quanto, é claro, nas canções. Ela intepreta, maravilhosamente, uma canção do seu próprio repertório, I’ll Never Stop Loving You, e canções bem mais antigas, da época da própria Ruth Etting.

aloveme1A interpretação de Doris Day para Ten Cents a Dance, com uma grande orquestra, é espetacular – e a canção tem tudo a ver com a história. Quando o filme começa, Ruth Etting é uma dançarina de boate, dessas que cobram dez centavos pela dança.

(“Dez centavos a dança, isso é o que me pagam. (…) Dez centavos a dança; dândis e durões, durões que rasgam meu vestido. (…) Das 7 à meia-noite eu ouço a bateria, o saxofone toca alto, os trompetes arrebentam meus tímpanos. Os clientes pisam no meu pé. (…) Tudo de que você precisa é um tíquete; vamos lá, garotão, dez centavos a dança.” Décadas mais tarde, Michelle Pfeiffer cantaria essa música de forma espetacularmente sensual em Susie e os Baker Boys/The Fabulous Baker Boys, de 1989.)   

É muito interessante ver Doris Day, que nos anos 60 seria a virgem mais virginal da história do cinema americano, fazendo papel de uma mulher que deu para um gângster para subir na vida.

James Cagney, que interpretou tantos gângsters a vida inteira, está bem exagerado no papel do bandidão que fica perdidamente apaixonado pela cantora quando a vê como taxi girl numa boate e dá início a uma história que levará a cantora ao sucesso nacional e o casal à tragédia.

aloveme2Com Doris Day brilhante e Cagney overacting, é estranho lembrar que ele foi indicado ao Oscar, e ela não, quando deveria ter sido exatamente o contrário. O filme teve seis indicações da Academia, e levou o que na época se chamava de melhor história original (best motion picture story).

O DVD tem extras interessantíssimos: filmetes feitos com a Ruth Etting verdadeira, nos anos 20 e 30. Não há semelhança física alguma entre a Ruth Etting que vemos nos filmes e a atriz escolhida para interpretá-la.

Pauline Kael destila veneno contra o filme em seu texto brilhante como sempre, e, no par central, viu o contrário do que eu vi: “Não há dúvida de que é melhor que a maioria das biografias musicais sobre cantores populares, mas isso não quer dizer muito. Doris Day está um pouco menos machona que de hábito, embora não se consiga saber por que sua Ruth Etting é uma estrela. (Pelo que se vê em suas aparições em filmes e em seus discos, a jovem, suave e sensual Ruth Etting era mais ou menos o contrário dessa mulher fria.) James Cagney dá uma força assustadora a seu papel como o traiçoeiro amante da cantora. A relação dois dois é horripilante, mas a nossa simpatia talvez fique com o reles homenzinho que a espanca.”

Aí Dona Kael endoidou. Não dá para ter simpatia de ninguém que bata numa mulher. 

Ama-me ou Esquece-me/Love me or Leave me

De Charles Vidor, EUA, 1955.

Com Doris Day, James Cagney, Cameron Mitchell

Roteiro Daniel Fuchs e Isobel Lennart

Produção Joe Pasternak, Metro

Cor, 122 min.

Um Comentário

  1. Miguel
    Postado em 20 setembro 2015 às 10:14 am | Permalink

    Acabei de ver. Fiquei desiludido. Eu já tinha ouvido falar deste musical antes de “Calamity Jane” mas tive mais interesse por este ultimo (embora imaginasse inferior) e acabei por ver primeiro. Adorei. Calamity Jane é uma maravilha. Love or Leave me tem uma boa história com boas interpretações mas é mt longo, os numeros musicais são qs todos aborrecidos, tanto pelas canções pelo facto de não haver uma cena de coreografia elaborada (Doris Day canta e isso é tudo). James Cagney está de facto um pouco exagerado mas é agradável de assistir, apesar do papel odioso. calamity Jane é mais divertido, com melhores canções e não é apenas o meu gosto. Calamity Jane é mesmo um filme superior, embora Love me or Leave me seja, por norma, considerado superior. Fiquei desapontado, apesar de gostar de Doris Day. Prefiro ve la em papeis divertidos e não sérios. Ela é boa atriz e faz tudo bem mas o ar mimoso dela é muito bem explorado em comédias! Uma estrela fabulosa

5 Trackbacks

  1. […] musical, como a Calamity Jones do título original de Ardida Como Pimenta, de 1953. Brilhou em Ama-me ou Esquece-me, de 1955, a cinebiografia de Ruth Etting, cantora dos anos 20 que era amante de um gângster. Em […]

  2. […] astros, alguns que ainda viriam a ser e uma das figuras mais lendárias do cinema americano, James Cagney, em sua última […]

  3. […] 1955, Doris Day havia interpretado, em Ama-me ou Easquece-me, uma taxi dancer que atrai as atenções de um gângster, interpretado por James Cagney, e a partir […]

  4. […] desde o início do filme, é perseguida por um sujeito com toda a aparência de um pobretão (Cameron Mitchell); naturalmente, ela se interessa por ele, mas esconde a atração dele, das outras e de si mesma, […]

  5. […] outras comédias, e muitos musicais – mas também tinha feito dramas, e irrepreensivelmente. Ama-me ou Esquece-Me/Love Me or Leave Me, de 1955, era um drama, em que ela interpretava, muito bem, a vida trágica da cantora Ruth Etting, […]

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