11:14


Nota: ★★☆☆

Anotação em 2007, com complemento em 2008: Eis aí um filme surpreendente, com um roteiro muito inteligente. É uma pena que o diretor erre a mão, exagere demais ao criar cenas da mais abjeta violência.

Tirando isso, no entanto, é um daqueles assustadores panoramas de como é imbecil a vida numa pequena cidade do maior Império do planeta. O retrato que o cara faz do absurdo de parte da sociedade americana chega a parecer com Caçada Humana/The Chase, do grande Arthur Penn. Todas as pessoas são loucas ou profundamente infelizes ou vazias ou tudo isso junto; não há absolutamente ninguém que não seja ruim da cabeça e doente do pé; a violência está presente em tudo, a todo momento. 

A inventividade do roteiro é descrever sob várias diferentes perspectivas – em cinco histórias que aparentemente não têm nada uma a ver com a outra, mas que de alguma maneira se entrelaçam – um acidente de carro acontecido exatamente às 11h14 da noite, o motivo do título.

As histórias são assim: um motorista bêbado (Henry Thomas, que no passado foi o garotinho de E.T., de Spielberg) bate em alguma coisa sob uma ponte, numa estrada; um garoto rouba uma loja, com a ajuda de uma amiga que trabalha ali (o papel de Hilary Swank); uma garota (Rachel Leigh Cook) que só pensa em sexo e dá mais que chuchu na cerca diz que está grávida e tenta conseguir dinheiro para fazer um aborto; um homem (Patrick Swayze) acha um cadáver jogado em um cemitério e tenta sumir com ele; três rapazes dirigindo uma caminhonete atropelam uma mulher, e, na batida, um deles perde um pedaço de seu pau, que cai na rua.  

 Foi o primeiro longa-metragem do diretor e roteirista Greg Marcks, que tinha então apenas 27 anos; antes deste filme, que é de 2003, ele havia feito um curta-metragem, Lector, em 2000, que ganhou dez prêmios.

 Parece que o filme foi produzido graças a Hilary Swank, essa boa atriz feia mas que ultimamente tem se achado bonita e gostosa. (Em Dália Negra, de Brian De Palma, por exemplo, ela está toda vamp.) Ela já havia ganho o Oscar de melhor atriz por Meninos Não Choram/Boys Don’t Cry, em 1999, e era portanto um nome bom de bilheteria; leu o roteiro, gostou muito de um personagem e topou trabalhar no filme; a partir daí o garoto conseguiu atrair outros atores de nome, e grana para filmar.  

Só em 2008 Greg Marcks voltaria a dirigir: fez um thriller chamado The Gift, com Edward Burns, Ving Rhames e Martin Sheen. 

11:14

De Greg Marcks, EUA, 2003.

Com Henry Thomas, Barbara Hershey, Hilary Swank, Patrick Swayze, Rachel Leigh Cook

Roteiro Greg Marcks

Produção MDP Worldwide

Cor, 86 min.

**

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Querido John / Dear John em 19 Março 2011 às 12:14 am

    […] elenco tem também Henry Thomas, no papel de Tim, um amigo dos pais de Savannah, um bom sujeito que gosta muito dela, cuida dela […]

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