Tudo em Família / The Family Stone


Nota: ★★½☆

Anotação em 2006, com complemento em 2008: Comédia um tanto amarga sobre vida em família, mostrando um feriado em que toda ela se reúne. Um tanto amargo – e com boas pequenas observações sobre essa coisa maluca que é o comportamento humano.

Já está virando um subgênero, esse da família que se reúne durante um feriado, e aí vêm à tona os problemas, os pequenos e os grandes, e até alguma alegria. Para citar só dois: Jodie Foster dirigiu um, Feriados em Família/Home for the Holidays, de 1995. E, no ano seguinte, foi feito O Mito das Digitais/The Myth of the Fingerprints, de Bart Freundlich.

Nada contra. Na minha opinião, filmes sobre vida em família, relações familares, são sempre bem-vindos. Na verdade, filme do cinemão americano que não tenha tiro, serial killer, perseguição de carro e explosão, que seja sobre a vida, e não crime e foras-da-lei, já sai em vantagem, já é melhor que a média.

Este filme aqui parte de um probleminha que quase toda família conhece bem. Não é um baita problema, um grande trauma, uma coisa horrorosa, horripilante – é apenas um probleminha muito, mais muito comum: ao conhecer a namorada do filho, a família tende a ver nela todos os defeitos possíveis, e a menosprezar suas eventuais qualidades. As mães, em especial, são useiras e vezeiras nisso; e as irmãs também, embora nem tanto.

E então temos que Everett (Dermot Mulroney), o mais bem sucedido dos Stones, em termos profissionais, vai passar o Natal na casa da família e leva a noiva para que todos conheçam. A noiva, Meredith (Sarah Jessica Parker, ótima, num papel perfeito para ela), é toda caretinha, formal – e os Stones, ao contrário, são absolutamente informais. Pronto: mal ficam conhecendo a futura senhora Everett, a irmã dele, Amy (Rachel McAdams), e sobretudo a mãe, Sybill (Diane Keaton), já estão de pé atrás, dispostas a não gostar da intrusa que vai roubar a coisa preciosa da família.

A pobre moça rica e caretinha vai comer o pão que o diabo amassou.

Para dividir com alguém essa refeição ainda mais indigesta que um gorduroso peru de Natal, a tadinha da moça Meredith tem a idéia de convidar a irmã mais jovem para vir ela também conhecer os Stones. Pelo amor da irmã, a mais nova, Julie (Claire Danes), topa, e aparece também. Só que a emenda fica pior que o soneto, porque Everett, o noivo, justo ele, fica mais do que encantado com a cunhadinha.

E ainda haverá vários outros probleminhas.

Sarah Jessica Parker foi indicada para o Globo de Ouro, e o filme teve outras seis indicações.

Foi o segundo filme escrito e dirigido por esse Thomas Bezucha, nascido em 1964 e que foi para o cinema depois de uma carreira de sucesso como executivo de grandes empresas de moda, do porte da Ralph Lauren. Nada de extraordinário, mas o fato é que ele soube fazer um filme correto, competente.

Ah, sim. Pelo cartaz do filme (acima), fica óbvio que o título original, The Family Stone, é um trocadalho do carilho – a família Stone, a jóia da família. A jóia, no caso, é o anel da mãe da matriarca interpretada por Diane Keaton, que poderá ir para a noiva rejeitada, o que por sua vez deixa a irmã do noivo tiririca da vida.

Tudo em Família/The Family Stone

De Thomas Bezucha, EUA, 2005.

Com Diane Keaton, Craig T. Nelson, Claire Danes, Sarah Jessica Parker, Luke Wilson, Dermot Mulroney, Rachel McAdams

Argumento e roteiro Thomas Bezucha

Produção Fox 2000 Pictures

Cor, 106 min.

8 Comentários

  1. Jussara
    Postado em 3 Maio 2009 às 1:50 am | Permalink

    É um bom filme, nada excepcional, mas acima de muitas comédias românticas descartáveis. E agora lendo o seu texto , fiquei com vontade de rever, pq não lembro de muita coisa (por exemplo, essa parte da jóia simplesmente se apagou da minha memória). Apesar de não gostar da SJP, ela estava mesmo bem no papel. E eu gosto das atuações da Claire Danes. No geral, gosto de filmes que retratam as famílias, mesmo que mostrem seus problemas e pendengas, afinal, nenhuma família é perfeita mesmo, não. E esse filme se passa no Natal, não? eu gosto de filmes que se passam no Natal, rs. A capa do dvd que aluguei era diferente, com várias fotinhos dos personagens e o fundo acho que tinha motivos natalinos.
    É verdade, algumas mães adoram detonar as namoradas dos filhos, mas Freud super explica. [Eu tenho uma tia que está passando por isso agora, e é até engraçado ouvi-la reclamando da menina…. já falei pra ela não falar nada, se não, aí é que o meu primo vai gamar, hahaha].
    Acho que o problema de hoje é que andam fazendo comédias românticas muito longas, e o que era pra ser leve e engraçado, às vezes acaba ficando cansativo — embora esse filme não seja uma comédia romântica padrão.

  2. Maria B.Marques
    Postado em 12 setembro 2011 às 8:11 pm | Permalink

    Material humano a fartar. A intolerância da família tem traços quase patológicos. A mãe, muito mais que uma mãe castradora, é chantagista. A irmã mazinha é uma caçula insuportável;quase toda a família cheia de problemas os mais sérios. Como digo acima, material par análise aprofundada de cada um deles. Gostei muito do filme, vi diversas vezes para aproofundar meu conceito sobre cada um deles… Valeu

  3. Jussara
    Postado em 27 dezembro 2012 às 5:51 pm | Permalink

    Revi este filme recentemente, na mesma semana em que revi “Simplesmente Amor”, e para mim, este ganha em disparada.

    A personagem da Sarah Jessica Parker fez por merecer toda aquela implicância da família, e como você bem disse, o papel é perfeito para ela.
    Quem nunca implicou com a namorada do filho, irmão, primo ou quem quer que seja que atire a primeira pedra, e aí está parte da graça da história.

    Eu gosto muito da Claire Danes, e apesar de aparecer pouco, acho que a trama ganha muito com a personagem dela.

    Este é um filme de Natal que retrata muito bem, de forma leve e engraçada os desacertos de uma família quando se reúne; só não é totalmente leve por causa da morte de uma das personagens. E tirando esse fato, não acho o filme amargo, não; pelo contrário, sempre me divirto quando assisto.

  4. Ivan
    Postado em 8 Maio 2013 às 1:21 pm | Permalink

    Vi este filme ontém e não gostei.
    Não gosto do Dermot Mulroney, não gosto da Sara Jéssica, menos ainda do Luke Wilson. Isto ajudou bastante para eu não gostar. Além do que, também não gostei da história.
    Por isso, quero usar aqui uma frase dita por ti, Sergio, tenho em minhas anotações, em novembro de 2009.
    “Não concordar com uma opinião é um direito maravilhoso que todos temos. Ainda bem”.
    A personagem da Claire só está na história para nos lembrar daquele clichê terrível da cena do onibus.
    Achei tudo forçado demais, algumas coisas muito fora do normal. Situações “engraçadas” com outras “dramáticas” demais.
    Tem coisa mais forçada e irreal do jeito que foi, aquela troca de casais ?
    Curioso é que o Luke Wilson também atua em outro ” Tudo em Família ” , com o titulo no original ” Straight A’s “. Achei pior do que este.
    É a primeira vez que eu não concordo com as outras opiniões. Mas em mim bateu assim.
    Não gostei de nenhum desses dois ” Tudo em Família ” .
    Um abraço !!

  5. Ivan
    Postado em 8 Maio 2013 às 3:19 pm | Permalink

    Eu estava mandando uma anotação sôbre este filme que esqueci e tem a sua importância , quando deu uma pane aqui na rede.
    Estava dizendo que houve uma coisa sim que gostei neste “Tudo em Familia” .
    O tratamento dado ao casal homosexual.
    Foram mostrados com seriedade, sem qualquer estereótipo.
    Gostei quando a Sybill diz para o filho que ele é mais “normal” do que todos ali.
    Era isso.

  6. Jussara
    Postado em 15 dezembro 2014 às 10:46 pm | Permalink

    Vi um vídeo hoje de indicações de filmes de Natal (gosto de filmes com essa temática), e Leonard Maltin disse que gosta muito desse aqui. Eu também gosto, tanto que comentei duas vezes aqui. Até deixei uma mensagem pra ele, hehe (imagina se ele respondesse?)

    Acabei de ler os comentários do Ivan, e ele detestou. É engraçado, porque pensando friamente o filme não é mesmo grande coisa, mas eu gostei bastante nas duas vezes em que o vi. Vai entender! Às vezes o filme pega uns e não pega outros (como Love Actually, que nunca me pegou).

  7. Jussara
    Postado em 15 dezembro 2014 às 10:53 pm | Permalink

    “Desse aqui”, “duas vezes aqui”. Jussara, prestenção! O WordPress bem poderia permitir que os leitores editassem os comentários, como acontece com o Facebook e o Disqus, hein?!
    O bom é que o comentário antigo não desaparece, em caso de ofensas ou coisas assim. É mais para editar os erros mesmo.

  8. Sérgio Vaz
    Postado em 17 dezembro 2014 às 12:25 am | Permalink

    Jussara, como você é muito amiga do administrador, pode pedir pra ele quebrar o galho e dar uma acertada…
    Abração.
    Sérgio

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Manhattan em 11 dezembro 2010 às 1:00 pm

    […] com uma bela jornalista, mulher cheia de opiniões a respeito de tudo e todos, Mary (o papel de Diane Keaton). Isaac vai primeiro detestar Mary – e se apaixonar por […]

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