Protegida pela Lei / While Justice Sleeps


Nota: ★★☆☆

Anotação em 2006, com complemento em 2008: A abertura deste filme é fortíssima, chocante. Estamos em um tribunal em que está sendo julgado um homem acusado de abusar sexualmente de crianças. A mãe de uma das vítimas entra no tribunal e mata o réu.

Foi impossível ver este filme sem lembrar de outro, que eu tinha visto pouco tempo antes, O Lenhador/The Woodsman, em que Kevin Bacon faz o papel de um sujeito que molestou sexualmente crianças, cumpriu a pena de 12 anos e no momento da ação está sendo solto, em liberdade condicional. Esse O Lenhador, dirigido por uma mulher, Nicole Kassell, é muito mais complexo, cheio de matizes – e defende uma segunda chance para o criminoso, mesmo o que pratica esse que talvez seja o mais abjeto de todos, o abuso sexual de crianças.

Este aqui, ao contrário, não tem qualquer piedade pelo criminoso, não quer saber de segunda chance. É da linha oposta, a do olho por olho, dente por dente. Explicita isso no próprio título original – segundo o filme, a Justiça dorme.

A mãe da vítima que assassina o réu durante o julgamento, em pleno tribunal, é interpretada por Cybill Shepherd, a atriz de beleza deslumbrante lançada por Peter Bogdanovich em A Última Sessão de Cinema/The Last Picture Show, de 1971, quando estava com 21 anos. Cybill Shepherd fez muito sucesso na gostosa série de TV A Gata e o Rato/Moonlightning, ao lado do jovem Bruce Willis, entre 1985 e 1989. Vem trabalhando constantemente desde então, mas em filmes e séries para a TV americana. Uma pena que o cinema não a tenha aproveitado mais.

Ela está linda, com gloriosos 44 anos, neste filme feito para a TV em 1994. Não é uma atriz extraordinária, mas faz corretamente o papel de Jody, a mãe da garota Samantha (Karis Paige Bryant).

A trama é construída para que o espectador tenha ódio do criminoso, fique do lado de Jody e pense que ela agiu corretamente ao assassiná-lo. O criminoso que abusa de Samantha – e de outras crianças da cidade – não é um estranho, um bandido desconhecido, mas um sujeito de quem todo mundo gosta, treinador do time da escola, amigo de juventude de Jody.   

O duro é isso: embora defenda a barbárie, o filme é bem feito.

Semanas depois que eu vi esse filme, a história aconteceu de verdade no interior de São Paulo: a mãe de um garoto vítima de abuso matou o criminoso dentro da delegacia.

Que sociedade, esta que criamos.

Protegida pela Lei/While Justice Sleeps

De Alan Smithee, EUA, 1994. Feito para a TV.

Com Cybill Shepherd, Tim Matheson, Karis Paige Bryant

Roteiro Stephen Glantz e Caliope Brattlestreet

Cor, 84 min.

Um Comentário

  1. Jussara
    Postado em 9 junho 2009 às 11:35 pm | Permalink

    Não vi o filme, só pra dizer que eu era fã de A Gata e o Rato e achava o Bruce Willis lindo, na época, rs.

    Sou contra o olho por olho, dente por dente, mas num caso desses a gente pode até não concordar, mas entende. Ainda mais no Brasil, com leis tão frouxas (se é que já tem lei pra casos de pedofilia, não sei ao certo).

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