Os Fora-da-Lei / Angel and the Bad Man


Nota: ★★½☆

Anotação em 2006, com complemento em 2008: Um bangue-bangue antiviolência, com o personagem de John Wayne se apaixonando por uma garota quaker, uma atriz muito bonita e pouco conhecida – Gail Russell.

Há diálogos fantásticos, fascinantes, que o espectador jamais esperaria ouvir em um western. Como este aqui, entre o personagem de John Wayne, Quirt Evans, o homem mau do título original, e Penelope Worth, o personagem de Gail Russell, o anjo do título:

Ele (lendo um quadro na parede): – “Cada ser humano tem uma integridade que só pode ser ferida por um ato daquele mesmo ser humano, e não pelo ato de qualquer outro ser humano.” Isso é coisa dos quakers?

Ela: – Hah, hah.

Ele: – Quer dizer que ninguém pode machucar você a não ser você mesma?

Ela: – É nisso que acreditamos.

Ele: – Bem, suponha que alguém quebre a sua cabeça com um pedaço de ferro. Isso não vai machucar?

Ela: – Fisicamente, é claro. Mas na verdade isso só iria ferir a pessoa que fez o ato de violência. Só quem executa um ato mau pode ser ferido por ele.

É fascinante saber que este tenha sido o primeiro filme produzido por John Wayne.

Essa atriz Gail Russell tem uma história de vida terrível, trágica – e John Wayne tem uma pequena parte nela. Só vim a saber dessa história em 2008, ao consultar os alfarrábios para complementar minha anotação sobre outro filme dela, O Fugitivo de Santa Maria/The Lawless, de Joseph Losey, de 1950.

Gail Russell teve uma vida tão impressionante e trágica quanto foi a de Frances Farmer, a bela atriz dos anos 30, rebelde, que não se conformava com os ditames dos estúdios e acabou internada como louca; sua vida foi retratada num bom filme de 1092, Frances, com Jessica Lange muito bem no papel central.

Apesar de já ter relatado a história dela na página de O Fugitivo de Santa Maria, transcrevo-a aqui.        

Nasceu Elizabeth L. Russell, em Chicago, em 1924; quando tinha 14 anos, a família mudou-se para a Califórnia; assim que terminou a High School, assinou contrato com a Paramount – o estúdio ficou impressionado com sua beleza. Não tinha qualquer experiência como atriz, e era extremamente tímida.

Seu primeiro papel – pequeno – foi em 1943, quando tinha 19 anos. Em 1944, teve outro papel pequeno num filme estrelado por Ray Milland, The Uninvited – e teria sido durante as filmagens dele que, pela primeira vez, ela bebeu para combater a extrema timidez. Iria se tornar alcoólatra – e é estranho lembrar que no ano seguinte, 1945, Ray Milland faria o papel principal num dos melhores filmes sobre alcoolismo de toda a história, Farrapo Humano/The Lost Weekend, de Billy Wilder.

Nos anos seguintes, trabalhou em diversos filmes (não vi nenhum deles), ao lado de astros, Joel McCrea, Alan Ladd, John Wayne.

Em 1951, depois de O Fugitivo de Santa Maria/The Lawless, a Paramount decidiu não renovar o contrato com ela, por causa da dependência do álcool. Nessa altura, ela já tinha uma condenação por dirigir bêbada. Ficou fora dos estúdios durante cinco anos, até 1956. Fez então três outros filmes (não conheço nenhum deles) entre 1956 e 1958; sumiu de novo até 1961, quando trabalhou num filme chamado The Silent Call – foi sua última aparição. Foi encontrada morta em seu pequeno apartamento em Los Angeles; a morte foi atribuída a um ataque cardíaco provocado pelo álcool. Tinha apenas 36 anos.

Segundo o iMDB, os jornais americanos afirmaram que ela teve um caso com John Wayne – e os dois tinham na época seus respectivos casamentos.

Em um site sobre John Wayne, há uma página sobre Gail Russell.

Um blog do Los Angeles Times tem longo texto sobre ela.

Entre as curiosidades sobre ela no iMDB, consta que Jane Fonda pesquisou sobre a vida dela, para fazer o papel da atriz promissora e alcoólatra que acorda ao lado de cadáver e não se lembra de nada do que aconteceu no dia anterior, no filme A Manhã Seguinte, de Sidney Lumet, de 1986. Não me lembro de Jane Fonda ter feito qualquer referência a isso na belíssima autobiografia dela. 

Os Fora-da-Lei/Angel and the Badman

De James Edward Grant, EUA, 1947

Com John Wayne, Gail Russell

Argumento e roteiro James Edward Grant

Produção John Wayne Productions e Republic

P&B, 100 min

3 Comentários para “Os Fora-da-Lei / Angel and the Bad Man”

  1. Impressionante,

    Apenas vi um filme com Gail Russell, que foi O anjo e o bandido. Nem me recordo de seu rosto, mas devia ser belissimo. Vou até rever esta fita.
    Como pode uma pessoa destruir sua vida aos 36 anos vítima do alcoolismo?! E tudo apenas começou pela sua timidez!
    Jesus! Como existem coisas sobre o cinema e seus astros que ainda desconheço!
    Que Deus guarde sua jovem alma.
    Jurandir

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