O Abraço Partido / El Abrazo Partido


Nota: ★★★☆

Anotação em 2006, com complemento em 2008: Um filme sobre a vida na comunidade judaica de Buenos Aires – gostoso, interessante, sensível, inteligente, bem interpretado, com bom roteiro.

E não consigo parar de me perguntar: mas por que será que nuestros hermanos ao sul do Rio Grande sabem fazer cinema tão melhor que nós, cacilda? Por que os roteiros são melhores, mais bem desenvolvidos, os personagens mais bem delineados, e os atores estupidamente melhores?

E por que eles conseguem fazer filmes sobre a vida o amor a morte de pessoas normais, gente como a gente, com suas pequenas alegrias, às vezes grandes tristezas, a vida comum, real, sem deixar de mostrar a conjuntura que está por trás, a Grande História por trás das histórias dos personagens, e no Brasil 99,8% dos filmes são sobre miseráveis, ou violentos, ou fora-da-lei, ou doidos de pedra, ou tudo isso junto ao mesmo tempo?

Este foi o terceiro dos quatro filmes em que o diretor Daniel Burman, nascido em Buenos Aires em 1973, trabalhou com o ator Daniel Hendler, nascido do outro lado do tal Rio de la Plata lindo e sucio da canção, em Montevidéu, em 1976. Fariam juntos dois anos depois Direito de Família/Derecho de Familia, que é ainda  melhor que este aqui.        

O Abraço Partido conta, com um ritmo gostoso, agradável, as histórias de várias pessoas que têm em comum o lugar onde trabalham e se encontram, uma galeria de lojas em Buenos Aires. Ariel, o personagem de Daniel Hendler, é uma das pessoas que freqüentam a galeria; sua mãe tem uma lojinha de lingerie, seu irmão trabalha com exportação e importação; algumas pessoas estão à procura de passaporte do país da Europa unificada de onde vieram seus pais e avós, uma saída para a vida sempre apertada em um país do Terceiro Mundo de economia sempre instável.

Já Ariel está à procura de respostas para suas dúvidas de jovem ainda não instalado no mundo dos adultos – inclusive as sobre sua origem, sua família, seu pai, que um belo dia abandonou mulher e filhos para ir lutar no exército de Israel e nunca mais deu notícia.

O Abraço Partido/El Abrazo Partido

De Daniel Burman, Argentina-Itália-França-Espanha, 2004.

Com Daniel Hendler, Adriana Aizemberg, Jorge d’Elia

Roteiro Marcelo Birmajer e Daniel Burman

Música Cesar Lerner

Produção BD Cine. Estreou em São Paulo 29/10/2004.

Cor, 100 min.

4 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Memória de Quem Fica / 18-j em 27 fevereiro 2010 às 12:51 am

    […] Burman, o diretor dos belos As Leis da Família e O Abraço Partido, é o único dos diretores que eu já […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » Dois Irmãos / Dos Hermanos em 22 maio 2011 às 2:01 am

    […] garoto Daniel Burman, nascido em 1973 em Buenos Aires, primeiro me encantou com O Abraço Partido, de 2004. É uma beleza de filme, gostoso, inteligente, sensível, sobre a vida na comunidade […]

  3. […] e o ator Daniel Hendler trabalharam juntos várias vezes – inclusive no também muito bom O Abraço Partido, de […]

  4. […] comedinha romântica de Daniel Burman, o jovem argentino realizador de filmes muito bons – O Abraço Partido (2004), As Leis de Família (2006) – e outros nem tanto assim – Ninho Vazio (2008), Dois […]

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