Albergue Espanhol / L’Auberge Espagnole


Nota: ★★★½

Anotação em 2006, com complemento em 2008: Uma delícia de filme. Desses de bem com a vida, alegres, bem humorados, gostosos, que dão prazer, que deixam a gente mais leve, melhor, acreditando um pouco mais na humanidade.

É inteligente, esperto, cheio de boas sacadas. É o tal negócio: é criativo, rápido, ágil, moderno, jovem – mas tudo na medida certa, sem exageros, sem criativol babaca para agradar críticos, sem cansar o espectador com demonstrações metidas, presunçosas, tipo, olha aí como eu sou genial, meu. Nisso, ele segue a estirpe de Amélie Poulain – uma nobre estirpe.

E é fascinantemente internacional, pan-europeu, uma babel de línguas. É um filme que só poderia ter sido feito nessa nova era européia em que as fronteiras nacionais significam cada vez menos – bem, pelo menos para quem é europeu e tem algum no bolso, claro.

Nosso herói chama-se Xavier (Romain Duris, um ator da nova geração que faz lembrar assim Jean-Paul Belmondo, por causa da cara feia mas charmosa, e está cada vez mais badalado). Está terminando a faculdade, procura um trabalho; através do pai, encontra-se com um funcionário do Ministério das Finanças, que diz que ele poderá ter um bom posto – depois que fizer um curso de pós-graduação e dominar o espanhol. Nosso herói vai então para Barcelona, onde descobrirá que ali a língua oficial é o catalão, e não o espanhol, mas não é isso que importa. Vai ter a oportunidade de morar numa república, com estudantes – garotos e garotas – de diversos países, e ter lições muito mais importantes do que as da escola.

O elenco é cheio de jovens atores – todos da geração da Fernanda, minha filha – que estavam começando a brilhar, ou tinham começado a brilhar fazia pouco tempo, e hoje estão absolutamente consolidados. Audrey Tautou, embora bem jovem (é de 1976, estava com 26), já tinha tido o sucesso avassalador de Amélie Poulin, e naquele mesmo ano de 2002 trabalharia com Stephen Frears na Inglaterra no pesadíssimo drama Dirty Pretty Things. Cécile de France, outra gracinha, estava no quinto ano de carreira; nascida na Bélgica em 1975, estava com 27 anos. A inglesa Kelly Reilly, de 1977, tinha uns sete anos de carreira, em papéis pequenos – por coincidência, ela também iria depois trabalhar com Stephen Frears, no excelente Sra. Henderson Apresenta, de 2005.

O diretor Cédric Klapisch, nascido em 1961, fez seu primeiro longa-metragem, Rien de Tout, em 1992. Este Albergue Espanhol foi sua consagração. Teve seis indicações ao César, o Oscar francês (Cécile de France venceu o prêmio de melhor revelação feminina; eles usam a palavra espoir, esperança, em vez de revelação), e foi um sucesso de público imenso na França, um país que precisa desesperadamente de sucessos de público falados em francês.

A brincadeira foi tão gostosa que rendeu, em 2005, uma continuação, com os mesmos personagens, os mesmos atores, o mesmo diretor, Bonecas Russas/ Les Poupées Rousses. É igualmente delicioso.

Albergue Espanhol/L’Auberge Espagnole

De Cédric Klapisch, França-Espanha, 2002.

Com Romain Duris, Judith Godreche, Audrey Tautou, Cécile de France,  Kelly Reilly

Roteiro Cédric Kaplish

Produção Bac Films, Studio Canal

Cor, 122 min

Um Comentário

  1. Jussara
    Postado em 6 maio 2009 às 11:50 pm | Permalink

    Esse filme é mesmo ótimo, já vi duas vezes. A vida não começa aos 40, começa no intercâmbio, rs. Ele mexe comigo, dá vontade de pegar o primeiro avião e ir pra europa. Ele só não é melhor pq o protagonista é um feiosão, bem coisa de francês, rs.
    Já do Bonecas Russas não gostei tanto.

8 Trackbacks

  1. […] gigantes Judi Dench e Bob Hoskins dão um show, literalmente, e a menina Kelly Reilly, a Wendy de Albergue Espanhol e Bonecas Russas, ilumina a tela com sua beleza. Definitivamente: o cinema inglês (na verdade o […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » Quando nasceram as estrelas em 13 junho 2011 às 3:36 am

    […] Reilly: Albergue Espanhol/L’Auberge Espagnole (2002); Sra. Henderson Apresenta/Mrs. Henderson Presents (2005); Orgulho e Preconceito/Pride & […]

  3. Por 50 Anos de Filmes » Paris em 1 novembro 2014 às 10:43 pm

    […] um belo filme, este Paris, que Cédric Klapisch fez em 2008. Uma terna, apaixonada declaração de amor à cidade estupidamente […]

  4. […] vi Albergue Espanhol, em 2006, quatro anos depois de o filme ter sido lançado, me maravilhei: “Uma delícia de filme. […]

  5. […] que já vi a a primeira e a terceira parte das Aventuras de Xavier Rousseau, os também deliciosos Albergue Espanhol, de 2002, e O Enigma Chinês, de 2013 – e conseguir iniciar esta anotação. Em geral começo a […]

  6. Por 50 Anos de Filmes » Quebra de Conduta / Möbius em 21 setembro 2015 às 6:25 pm

    […] Informa-se ali também que os produtores pensaram em Audrey Tautou para o papel de Alice. Não teria sido uma má escolha. Audrey Tautou e Cécile de France são exatamente da mesma geração – a primeira é de 1976, a segunda, de 1975; suas carreiras são paralelas; as duas trabalharam juntas em Albergue Espanhol (2002). […]

  7. […] como manequim. Levou 5 anos para chegar ao cinema, quando Cédric Klapisch, o jovem diretor de Albergue Espanhol e suas duas deliciosas sequências, ofereceu a ela um papel em Ma Part du […]

  8. […] inglesa a bela Kelly Reilly, a Wendy da trilogia Albergue Espanhol, Bonecas Russas e O Enigma Chinês, que aqui interpreta a alta funcionária da CIA Karen Dacre. E […]

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