
Nota: 



Anotação em 2006, com complemento em 2008: Não é dos melhores filmes de James Ivory, o-mais-inglês-dos-cineastas-americanos – mas mesmo assim é um bom filme. A direção de arte é esplendorosa, a reconstituição de Xangai nos anos 30 é uma maravilha, o visual é belíssimo.
Todo o tom do filme é outonal, de fim de era, fim de ciclo, fim de um tipo de vida. O clima é triste e desalentado, numa Xangai às vésperas da invasão japonesa, onde se mistura gente de todas as origens, ex-aristocratas, diplomatas, políticos, espiões.
O filme tem a fascinante atração de reunir três mulheres do clã Redgrave, um dos mais nobres do cinema mundial. Natasha Richardson, a filha de Vanessa Redgrave e do diretor Tony Richardson, faz o papel de Sofia, a condessa branca do título – uma bela e triste mulher, expatriada da sua Rússia natal com toda a família para a China depois da revolução comunista de 1917. Viúva, ela se submete a trabalhos deprimentes, ultrajantes, como dançarina de cabaré e às vezes como prostituta, para alimentar a família aristocrática que perdeu tudo, até o respeito.
A mãe e a tia de Natasha Richardson fazem aqui papéis invertidos. Vanessa Redgrave faz o papel de uma tia de Sofia. E sua irmã Lynn Redgrave interpreta Olga, mãe da condessa.
A trama se concentra em Sofia e sobretudo em Todd Jackson, um americano tão expatriado como a condessa russa; Jackson havia chegado anos antes a Xangai como um diploma cheio de otimismo. Na época da ação, 1936, ele já havia perdido o emprego, todas as esperanças – e a visão. O grande Ralph Fiennes dá um show de interpretação nesse papel.
Eventualmente, a condessa russa prostituída e o ex-diplomata americano agora cético, cego e beberrão vão desenvolver uma relação forte, estranha, profunda,
A Condessa Branca foi o último filme do grande, extraordinário indiano Ismail Merchant (1936-2005), que teve uma brilhante parceria de décadas com James Ivory. Formado em administração pela Universidade de Nova York, Merchant foi o produtor de quase todos os filmes de James Ivory, a garantia de dinheiro em caixa para o amigo fazer seus belos filmes de reconstituição de época, de histórias de famílias aristocráticas em geral com imensa dificuldade de relacionamento e comunicação com todos os demais seres humanos. Para este filme aqui, Merchant amealhou capital em quatro países – Inglaterra, Estados Unidos, Alemanha e a China do regime comunista mais selvagemente capitalista da história. Dirigiu pouco – apenas sete filmes. Um deles, pelo menos – O Regresso/The Proprietor, de 1996 – é brilhante.
A Condessa Branca/The White Countess
De James Ivory, Inglaterra-EUA-Alemanha-China, 2005.
Com Ralph Fiennes, Natasha Richardson, Lynn Redgrave, Vanessa Redgrave
Roteiro Kazuo Ishiguro
Fotografia Christopher Doyle
Produção Ismail Merchant
Cor, 138 min.


4 Comentários
Esperava mais desse filme, é bom, mas achei desesperançado demais. Às vezes uma ou outra cena soava um pouco fake e o filme se arrastava. Mas o Ralph Fiennes sempre vale a pena ser visto
.
Só uma pequena correção: na fichinha quando cita os nomes dos atores, em vez de Ralph vc colocou o nome do irmão dele, Joseph.
Ops! Obrigado por avisar do erro, Jussara. Já corrigi. Obrigado, e um abraço.
De nada
. Eu queria falar mais sobre esse filme, mas ia ficar cheio de spoilers.
Jussara, caríssima, você pode comentar à vontade com informações que só quem já viu o filme deva ler. Fique tranqüila porque aí eu coloco o meu aviso de spoilers, que é
Se você não viu o filme, não leia a partir de agora
Um Trackback
[...] Vanessa, Lynn e Natasha Richardson se reuniriam em sob a batuta de James Ivory novamente em 2005, em A Condessa Branca. [...]