A Carta / The Letter


Nota: ★★★½

Anotação em 2006: Uma beleza de filme. Os atores, Bette Davis à frente, estão maravilhosos, a música parece hoje meio datada mas dá um belo clima, a fotografia é esplendorosa. E a história é muito, muito boa. Há belíssimos diálogos. “É impressionante como um homem pode viver dez anos com uma mulher e não saber nada sobre ela”, diz o advogado para a heroína assassina.

A abertura é um brilho total – a lua cheia entre palmeiras, uma seringueira pingando látex, uma casa rica numa ilha asiática, um tiro, um homem cambaleando, a mulher que sai da casa atrás dele e descarrega a arma no corpo já no chão. Tudo leva a crer que teríamos um flashback – com um lead destes, 8 de cada 10 filmes da época teriam um flashback -, mas, não, ele não vem.

O filme teve sete indicações para o Oscar e não levou nenhum – filme, atriz para Bette Davis, ator coadjuvante para James Stephenson (ele está soberbo como o advogado cheio de dúvidas morais), diretor para William Wyler, fotografia em preto-e-branco para Gaetano Gaudio, montagem para Warren Low e trilha sonora original para Max Steiner. O filme perdeu para Rebecca, de Hitchcock, e Wyler perdeu para John Ford por Vinhas da Ira. Bette Davis perdeu estranhamente para Ginger Rogers em um filme do qual nunca ouvi falar, Kitty Foyle. 

Bette Davis atuou em dois dos cinco filmes indicados na categoria principal – além deste aqui, ela esteve também em Tudo Isso e o Céu Também/All This and Heaven Too, de Anatole Litvak. 

O Guia da Time Out diz que na história original Somerset Maughan discute muito a hipocrisia da Justiça nas  colônias quando quem estava sendo julgado era um inglês. O filme, no entanto, não aborda essa questão. 

O DVD traz um final alternativo que na verdade é extremamente parecido com o que está no filme – apenas tira fora o terrível, devastador diálogo final entre o marido enganado e a assassina.

 Se você não viu o filme, não leia a partir de agora

O livro da The Warner Bros. Story diz que o final é infiel à história de Maughan, por exigência do Código Hays. No final (tanto no oficial quanto no alternativo), a assassina – que a Justiça inocentou, no filme basicamente porque a prova mais óbvia da acusação, a carta do título, foi comprada pela defesa e não apareceu no júri – paga pelo crime sendo morta pela viúva da vítima, a mulher eurasiana.

A história já havia sido filmada antes, em 1929, e a atriz principal foi indicada para o Oscar; e teria depois várias refilmagens, inclusive uma para a TV em 1962 com Lee Remick no papel central. 

A Carta/The Letter

De William Wyler, EUA, 1940

Com Bette Davis (Leslie Crosbie), Herbert Marshall (Robert Crosbie), James Stephenson (Howard Joyce, o advogado), Gale Sondergaard (Mrs. Hammond, a eurasiana)

Rot Howard Koch

Baseado em história de W. Somerset Maugham

Fotografia Tony Gaudio

Música Max Steiner

P&B, 95 min

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Quando nasceram as estrelas em 1 junho 2011 às 10:33 pm

    […] Davis: Mulher Marcada/Marked Woman (1937); As Irmãs/The Sisters (1938); A Carta/The Letter (1940); Satã Janta Conosco/The Man Who Came to Dinner (1942); A Rainha Tirana/The Virgin Queen […]

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