O Estranho Sem Nome / High Plains Drifter


Nota: ★★☆☆

Anotação em 2001, com complementação em 2008: Devo confessar: não entendi o filme. Afinal, quem é o pistoleiro solitário sem nome? Por que ele resolve ir parar na cidadezinha de Lago? Por que ele manda os habitantes do pobre lugar abandonado por Deus pintar todas as casas de vermelho e escrever “inferno”? Que vingança ele está procurando, contra quem?

Me conforta um pouco saber que o personagem do anão também ficou com dúvidas: no final do filme, bem no final, ele pergunta ao pistoleiro solitário sem nome: “Quem é você?” Ao que Clint, o ator, repetindo o seu personagem de tantos outros filmes anteriores, sujeito de muita ação mas pouquíssimas palavras, responde apenas: “Você sabe”. E, tão misteriosamente quando veio, viu e matou, desaparece. 

Foi a Marynha que entendeu, e me explicou: o pistoleiro solitário sem nome é o espírito do delegado que havia sido assassinado naquela cidade tempos atrás. Ah, então tá: é o espírito. Na minha opinião, para um espírito ele dá tiros reais demais.

Bem, se for isso mesmo, chega-se à conclusão de que o belo Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal, de 1997, não foi o primeiro flerte do Clint com o sobrenatural.

Neste seu segundo filme como diretor (o primeiro havia sido Perversa Paixão/Play Misty For Me, de 1971, em que interpreta um disc-jockey de uma cidadezinha da costa californiana, na região de Monterey), Clint de fato se inspirou nos westerns que fez com Sergio Leone e no próprio personagem que interpretou em tantos western-spaghetti, o do pistoleiro solitário sem nome. Fez um exercício de estilo – e, inegavelmente, demonstrou talento e estilo.  

Era 1973, e ele estava começando a nova carreira. Seria bem mais tarde, depois de matar mais algumas dúzias de bandidos em westerns e policiais, que Clint Eastwood, então um artista maduro, reveria essa matança toda e refletiria sobre ela, no extraordinário Os Imperdoáveis, de 1992, e em todos os excelentes filmes que faria a partir daí.

O Estranho Sem Nome/High Plains Drifter

De Clint Eastwood, EUA, 1973.

Com Clint Eastwood, Verna Bloom, Marianna Hill, Geoffrey Lewis

Argumento e roteiro Ernest Tidyman

Produção Malpaso, distribuição Universal

Cor, 105 min.

2 Comentários

  1. Postado em 27 Maio 2011 às 12:01 pm | Permalink

    Western bastante interessante e original, que em Portugal se chamou “O Pistoleiro do Diabo”. Título que traduz bastante melhor a trama do filme, deliberadamente ambígua no respeitante à verdadeiro identidade do vingador que aliás até nem tem tanto interesse assim desvendar. O que é mesmo curioso é que naquela cidade ninguém é inocente e a maioria o que pretende é expiar a sua quota parte de culpabilidade, nem que seja por via da aceitação das tarefas mais estranhas exigidas pelo forasteiro. Mais um filme de Eastwood que me dá sempre um grande gozo rever.

  2. Ivan
    Postado em 25 junho 2013 às 4:08 pm | Permalink

    Sempre gostei muito dos westerns com o Clint Eastwood , sobretudo a trilogia dos dólares.
    “Os Imperdoáveis” foi o supra-sumo.
    Este aqui, nem online estou conseguindo. Mas consegui ver ontém, “O Cavaleiro Solitário”.
    E, pelo que voce diz neste texto, me parece que o tema é o mesmo.
    Só que em ” O Cavaleiro Solitário ” , o vingador vem do céu. A mocinha do filme reza por um milagre que possa ajudá-los na luta contra os bandidos e , aparece o ” Pastor ” (Clint). Aqui ele também aparece do nada,vê, mata e desaparece. Duas cenas deixam claro quem o ” pastor ” realmente é. E , pelo que voce diz , faz lembrar tbm ” O estranho sem Nome “.
    Eu gostei,a história é bôa, as cenas de ação também são boas e sem muitos exagêros.
    E hoje o que existe é uma enorme admiração por esse cineasta maravilhoso que é Clint Eastwood.
    Um abraço!!

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Joe Kidd em 17 outubro 2015 às 8:24 pm

    […] Me, no Brasil Perversa Paixão, que é de 1971. No ano seguinte, 1973, dirigiria seu segundo filme, O Estranho Sem Nome/High Plains Drifter, em que interpreta um personagem bastante parecido com o dos filmes de Sergio Leone e com este Joe […]

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