Dulce, Paixão de uma Noite / Douce


Nota: ½☆☆☆

Anotação em 2001, com complemento em 2008: Bola preta. Uma constatação: esse Autant-Lara é definitivamente um saco. Os filmes dirigidos por franceses nos anos 40 vistos no último ano, no Telecine 5, mostram bem isso: Autant-Lara é um sacô; Julien Duvivier é um prazer.

Este é um daqueles filmes candidatos à lista de piores de todos os tempos. Além de ser extremamente lento sem ser interessante, não se decide pelo que quer dizer. Finge que é uma denúncia sobre uma família de nobres que, sem chama ou brilho próprios, vampiriza o sangue quente de um casal de serventes, mas na verdade mais parece é estar defendendo a moral indefensável de que os serviçais são mesmo é seres inferiores, animais desprezíveis. Única coisa positiva digna de nota: a beleza de Madeleine Robinson, a atriz que faz Irene, a governanta.

Tem duas longas tomadas feitas como se fosse de trás da lareira. O que faz lembrar a velha lição do Ivor Montagu, que trabalhou com Eisenstein e Hitchcock: jamais leve a sério um filme em que há uma tomada em que a câmara está detrás de uma lareira.

Mas vamos a uma outra opinião. Diz o Dicionário de Filmes do Georges Sadoul:

 “Em 1888, moça de boa famílias (Odette Joyeux) arranja amante de outra condição social e entra em conflito com sua família (Margueritte Moreno, Jean Debucourt). Através da adaptação de um romance, violenta sátira à burguesia, apesar de um final convencional, imposto pelos produtores. Primeiro filme falado importante de Autant-Lara.”

Dulce, Paixão de uma Noite /Douce

De Claude Autant-Lara, França, 1943.

Com Odette Joyeux, Marguerite Moreno, Jean Debucourt, Madeleine Robinson, Roger Pigaut

Roteiro de Jean Aurenche e Pierre Bost

Baseado na novela de Michel Daver

105 min, P&B.

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