Psicose / Psycho


Nota: ★★★★

Resenha (do DVD, não do filme) na coluna O Melhor do DVD, no site estadao.com.br, em 2000: O making of de Psicose consegue ser ainda mais detalhado e cheio de informações que o de Um Corpo que Cai, lançado na mesma época. Tem nada menos que 93 minutos, divisão em capítulos, legendas em inglês para auxiliar na compreensão, e longas e detalhadas entrevistas com o roteirista Joseph Stefano, a filha de Hitch, Pat (que trabalha em Psicose, em um pequeno papel como uma secretária colega de Marion Crane), Janet Leigh, que fez o papel de Marion Crane, e a assistente pessoal do diretor, Peggy Robertson.

Os relatos deles cobrem tudo – desde o momento em que Hitch leu o livro de Robert Bloch, até a fantástica campanha de marketing para a exibição do filme.

Foi dele, Hitchcock, esse incrível marqueteiro de si próprio e de sua obra, a idéia de pedir aos exibidores que não permitissem a entrada de espectadores depois do início do filme. Cartazes diante do cinema traziam frases com o humor de Hitch, do tipo: “Ninguém – mas ninguém mesmo – pode entrar no cinema depois que a sessão começar. Nem o irmão do gerente, o presidente dos Estados Unidos ou a Rainha da Inglaterra – que Deus a abençoe.” Nem mesmo os críticos, como conta o roteirista Stefano. Não houve pré-estréias para os críticos, e eles tiveram que ver o filme nas sessões normais, junto com o comum dos mortais, eles, que se consideram mais importantes que os autores dos filmes. Stefano credita a esse fato as críticas negativas com que o filme foi recebido: “Bosley Crother, do ‘New York Times’, disse que o filme era horroroso – e mais tarde o colocou na lista dos dez melhores do ano”.

Janet Leigh, que escreveu um livro sobre a experiência – “Behind the Scenes of Psycho”, lançado em 1995 – dá um depoimento especialmente rico. Uma frase, em particular, é reveladora do estilo visual de Hitchcock, possivelmente a melhor câmara da história do cinema:

“Ele me explicou como sua câmara era absoluta. (…) ‘O único tipo de controle é que minha câmara tem que ser o ponto focal. Em outras palavras, quando minha câmara se move, você tem que se mover.'”

Não é à toa que tanta gente tente copiar o estilo da câmara de Hitchcock. Que o diga Brian De Palma, que em várias obras perseguiu os passos do mestre, e, em um único filme, Vestida para Matar, de 1980, citou a cena do chuveiro de Psicose e a contemplação de Madeleine na galeria de arte em Um Corpo que Cai.

Psicose/Psycho

De Alfred Hitchcock, EUA, 1960

Com Anthony Perkins, Janet Leigh, Vera Miles, John Gavin, Martin Balsam, John McIntire

Roteiro Joseph Stefano

Baseado no livro de Robert Bloch

Música Bernard Herrmann

Fotografia John L. Russell

Montagem George Tomasini

P&B, 109 min

5 Trackbacks

  1. […] Bass, que fez algumas das mais inteligentes apresentações do cinema, nos anos 50 e 60, inclusive Psicose, Um Corpo Que Cai e Anatomia de um Crime. Há um monte de piadas muito engraçadas. As cenas em que […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » Quando nasceram as estrelas em 2 junho 2011 às 2:51 pm

    […] Miles: Quase um Criminoso/A Touch of Larceny (1959); Psicose/Psycho (1960); O Homem Que Matou o Facínora/The Man Who Shot Liberty Valance […]

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  4. […] Errado (1957), Um Corpo Que Cai/Vertigo (1958), Intriga Internacional/North by Northwest (1959), Psicose (1960) e Os Pássaros […]

  5. Por 50 Anos de Filmes » A Garota / The Girl em 8 fevereiro 2013 às 5:28 pm

    […] Sabe Demais (1956), O Homem Errado (1957), Um Corpo Que Cai (1958), Intriga Internacional (1959) e Psicose (1960). Desses, apenas O Terceiro Tiro e O Homem Errado não haviam tido imenso sucesso de […]

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