Gilda


Nota: ★☆☆☆

Anotação em 2000: Eta filminho ruim! Agora, tirando o fato de que o filme – uma grande lenda, um símbolo, um fetiche – é um horror, meu Deus do céu e também da terra, de fato nunca houve uma mulher como Gilda!

Rita Hayworth está realmente uma das coisas mais agressivamente, poderosamente belas que o cinema já mostrou.

Acho que eu nunca tinha visto Gilda; era um daqueles filmes clássicos sobre os quais a gente sabe quase tudo, de tanto ver fotos, cartazes, comentários, citações – nunca houve uma mulher como Gilda. Só faltava ver – e vi por causa de uma matéria que preciso escrever sobre fumo, cigarro. E aí, surpresa: que grande porcaria!

O próprio livro The Columbia Story traz os senões todos, o que até me dispensa de justificar o que pode até parecer herético. A história não é uma história, é um amontoado sem nexo de situações absurdas, improváveis, ridículas. Não se sabe o que são os personagens, nem por que agem como agem – por que se odeiam tanto nossa Gilda e nosso Johnny Farrell?

Um detalhe chamou minha atenção: a foto de Rita no vestido negro sensualíssimo (criado por Jean Louis, o Versacci da época), segurando o cigarro acesso com a mão direita (a que está aí acima), um dos maiores ícones do cinema americano, capa do site sobre o glamour do cigarro nos filmes, capa de uma edição brasileira do Dicionário de Filmes de Georges Sadoul, é na verdade uma foto posada para a publicidade do filme, um still – ou seja, a imagem não está de fato no filme. Assim como a foto usada no verbete do filme do Cinemania, com Rita vestida de cowboy sadomasô parada diante do carro de um Glenn Ford fumando – é outro dos chamados still, ou publicity shot, que não está no filme.

O livro da Columbia especifica que é a voz da própria Rita que ouvimos quando ela toca Put the blame on mame, acompanhando-se ao violão, no cassino vazio – uma cena, aliás, totalmente ridícula, se não fosse pela beleza da atriz. Já quando ela canta a mesma música na famosérrima cena do cassino cheio, usando o tal vestido negro de Jean Louis, fazendo o que é tido, com toda razão, como o striptease mais sensual do cinema (e olha que ela tira a luva direita, apenas), a voz que ouve é da cantora Anita Ellis.

Gilda

De Charles Vidor, EUA, 1946.

Com Glenn Ford, Rita Hayworth, George MacReady,

Roteiro Marion Parsonnet, Joe Eisinger e Ben Hecht (este ultimo não é creditado no filme)

Baseado em história de E.A. Ellington

Fotografia Rudolph Maté

Produção Columbia

P&B, 110 min.

4 Comentários