Uma Loucura de Casamento / Very Bad Things


Nota: ★☆☆☆

Anotação em 1999: O filme não é pavoroso, tecnicamente falando. Até que ao contrário. O diretor tem domínio da técnica, da narração. E, estranhamente, não é uma ode à violência, à la Tarantino. Não. O que ele pretende, parece, é denunciar as mazelas mais evidentes, as doenças mais aparentes da maluca sociedade americana: o individualismo exacerbado, o egoismo, o vale tudo da competição, a completa e total ausência de valores morais, a total falta de respeito pela vida humana – e, de passagem e metalinguagemente, um tipo de (mau) cinema americano, que é o melhor espelho das doenças todas daquela sociedade.

E, no entanto, é um filme horroroso, nojento, nauseante, repelente.

Porque ele vai fundo demais no retrato da loucura. Ele acaba assumindo como sua a falta de estética (e a falta de ética) que quer denunciar. Nisso ele tem certa proximidade de O Oposto do Sexo, que quer mostrar a personagem de Christina Ricci como o protótipo do adolescente imbecil e degenerado que a sociedade cria. O problema é: a sociedade é tão doida que as pessoas, pelo menos boa parte delas, vão se encantar com o nojo que é mostrado. Em vez de se enojarem com o espelho mostrado na tela, vão se encantar com ele. O trash do trash do trash do trash.

Rápido relato, for the record: Cinco amigos vão para Las Vegas para a despedida de solteiro de um deles, que vai se casar com a personagem de Cameron Diaz. Trancam-se num quarto de hotel, bebem, cheiram; chega uma prostituta; um deles transa com ela, até espremê-la contra um prendedor de roupa na parede. Ela morta, chega um segurança do hotel, que é também morto. Os cinco amigos estripam os dois corpos, botam em malas, vão enterrar no deserto. Um deles alega que é preciso dar às vítimas um enterro decente, e então os cinco vão tentando juntar os pedaços picados.

E isso é só o começo. Haverá ainda vários outros assassinatos e decepações de pedaços de corpos.

Uma Loucura de Casamento/Very Bad Things

De Peter Berg, EUA, 1998.

Com John Favreau, Christian Slater, Camercon Diaz, Daniel Stern, Jeanne Tripplehorn, Jeremy Piven, Leland Orser

Argumento e roteiro Peter Berg

Música Stewart Copeland

Cor, 100 min

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3 Comentários

  1. valdirbaldoinosantos
    Postado em 9 abril 2011 às 2:38 pm | Permalink

    uma comedia otima excelente

  2. valdirbaldoinosantos
    Postado em 9 abril 2011 às 2:39 pm | Permalink

    assisti há uns 5 anos uma comedia incomun muito bom mesmo

  3. Juca bala
    Postado em 28 dezembro 2011 às 6:36 pm | Permalink

    Pior filme que já vi na minha vida. Tenta ser pretensioso, irônico ao extremo, mas o máximo que consegue ser é tão besta quanto os filmes que “pretende” denunciar. Como se fosse possível esquecer os chatíssimos “inteligentes” e “cabeças” são produto e parte do vivem a tentar negar.

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