O Amor Segundo um Extraterrestre / The Mating Habits of the Earthbound Human


Nota: ★★½☆

Anotação em 1999 e complemento em 2008: Gostosa, despretensiosa, hilariante, escrachada comédia feita por um obscuro diretor canadense, Jeff Abugov, sem atores conhecidos, que usa o tema recorrente da vinda de extraterrestres ao planeta apenas e tão somente para fazer comentários sobre os estranhos hábitos dos terráqueos.

É, assim, primo-primeiro de Minha Noiva é uma Extraterrestre/My Stepmother is an Alien, de Richard Benjamin, 1988, e de De Que Planeta Você Veio?/What Planet Are You From?, de Mike Nichols, 2000. Todos os três têm sacadas espertas, divertidas – e nenhum, mas absolutamente nenhum compromisso com seriedade.

Neste filme aqui, há piadas até nos créditos finais: “Helicóptero – Você viu alguma cena filmada de helicóptero?” – e depois: “Nenhum ser humano foi ferido durante as filmagens”.

Todo o filme é narrado por um extraterrestre, um cientista que veio à Terra para estudar os hábitos da espécie animal de alguma vida inteligente no planeta, especialmente os relacionados ao acasalamento. O cientista tenta, então, explicar para os seres de seu planeta o que está sendo mostrado na tela.

acarmenSeqüência especialmente deliciosa: o casal está no cinema. Ela chora, ele se entendia; o narrador, que apreendeu muito bem algumas sutilezas do comportamento terráqueo, explica: “Fêmeas gostam de histórias em que uma pessoa morre devagar”. Corta a cena para outra bem parecida, os dois no cinema, ele se diverte, ela tem medo; narrador: “Machos preferem histórias de muitas pessoas morrendo rápido”.

Há nítidas influências do jovem Woody Allen, especialmente de Tudo o que Você Sempre Quis Saber Sobre Sexo e Tinha Vergonha de Perguntar, de 1972. Exatamente como Allen havia feito, o diretor Jeff Abugov bota um bando de sujeitos para representar os espermatozóides; aqui eles ficam numa pista de corrida, e volta e meia saem em disparada – para baterem num imenso saco plástico colocado à frente e cairem zonzos no chão. O casal, explica o cientista extraterrestre que narra a história, está usando um saco plástico que impede o homem de completar o ato de reprodução da espécie.

A atriz que faz A Fêmea, Carmen Electra, belíssima e gostosérrima, participou como backing vocal e dançarina de shows de Prince, no início dos anos 90, e chegou a gravar um disco; daí foi para a TV, onde apareceu na série Baywatch; participou de mais de 60 episódios de TV e/ou filmes, embora nunca tenha virado propriamente uma estrela. Fez também uma série de DVDs em que demonstra exercícios aeróbicos de striptease. O cientista extraterrestre foi de bom gosto: escolheu uma belíssima espécime de terráquea para demonstrar no seu planeta os hábitos de acasalamento na Terra.

O Amor Segundo um Extraterrestre/The Mating Habits of the Earthbound Human

De Jeff Abugov, EUA, 1999.

Com Mackenzie Astin, Carmen Electra, e a voz de David Hyde Pierce como o narrador.

Argumento e roteiro Jeff Abugov

Música Michael McCarty

Cor, 88 min.

5 Comentários

  1. William Boner
    Postado em 13 setembro 2009 às 7:48 am | Permalink

    Materia muito bem escrita e com um tom próprio do filme.
    Parabens.

  2. Rodolfo Lou
    Postado em 11 janeiro 2010 às 8:28 pm | Permalink

    Filme Fantástico e engraçadíssimo……Assistam….

  3. Herzog
    Postado em 20 maio 2010 às 8:31 pm | Permalink

    Existe o DVD deste lançado no brasil?
    Obrigado.

  4. Sérgio Vaz
    Postado em 20 maio 2010 às 8:46 pm | Permalink

    Acho que não; dei uma olhada em sites que costumam ter tudo, e não encontrei. O filme passa bastante na TV a cabo, mas o DVD, creio que você só conseguirá nos sites de venda internacionais, como o Amazon.

  5. Luã lima
    Postado em 30 setembro 2010 às 6:10 pm | Permalink

    olla, onde posso achar esse filme para baixar?

    pelo amor de Deus?

Um Trackback

  1. […] retomado quase 20 anos mais tarde, em 1999, em uma deliciosa comedinha independente americana, O Amor Segundo um Extraterrestre/The Mating Habits of the Earthbound Human, feita – como este filme aqui– com pouco dinheiro e muito […]

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