A Taberna das Ilusões Perdidas / The Rat Race


{rating:2.5]

Anotação em 1999, com complemento em 2008: Vi quando menino, e nunca mais tinha revisto, acho, até agora. Parece hoje extremamente datado, por causa da inocência juvenil forçada pela censura da época e também, é claro, pela clara vontade do diretor Robert Mulligan, um cineasta que acredita em coisas difíceis como esperança, bondade, solidariedade.

O mais fascinante na revisão é isso, justamente – e mais a beleza de Debbie Reynolds. Acho que ela nunca esteve tão bela quanto no papel da moça do interior que vai para a capital do mundo em busca de um lugar ao sol, só encontra sordidez e não consegue sair.

O guia de Steven H. Scheuer, que costumava ter boas avaliações, mas acabou sendo deixado de lado pelas editoras com o sucesso crescente de Leonard Maltin, diz do filme: “História dura-terna da Grande Cidade, de um caso de amor entre uma ingênua aspirante a dançarina e um instrumentista de mente frágil. Boa atmosfera de Nova York, algumas boas falas, personagens bem delineados.

Algumas boas falas, personagens bem delineados. Está certíssimo ele.  

Gerson Kanin (1912-1999), o autor da peça em que se baseia o filme e também do roteiro, tinha um texto brilhante, e era um grande roteirista. Foi ator de teatro na Broadway, dirigiu 15 filmes, mas sua obra principal são os roteiros, às vezes em parceria, alguns deles com sua mulher Ruth Gordon (que também trabalhou como atriz em, entre outros, O Bebê de Rosemary, Ensina-me a Viver/Harold and Maude. e até em um episódio, ótimo, da série Columbo).

Kanin é autor ou co-autor dos roteiros de belos filmes da época de ouro de Hollywood: Original Pecado/The More The Merrier, de George Stevens, 1943; A Costela de Adão, de George Cukor, 1949, com o casal Spencer Tracy-Katharine Hepburn; Nascida Ontem, também de Cukor, 1950; A Mulher Absoluta/Pat and Mike, ainda de Cukor e com Tracy-Hepburn, 1952, para citar só alguns.   

A Taberna das Ilusões Perdidas/The Rat Race

De Robert Mulligan, EUA, 1960

Com Tony Curtis, Debbie Reynolds,

Roteiro Gerson Kanin

Baseado em sua peça de teatro

Cor, 105 min.

 

2 Comentários

  1. Marcos Revolti
    Postado em 11 outubro 2008 às 7:18 pm | Permalink

    Assistí A Taberna das Ilusões Perdidas, quando adolescente, na década de 60.Voltei a assistí-lo via TV CABO. O filme não perdeu a ternura e o encanto. Tony Curtis, Debbie Reynolds e o barman, estão ótimos no filme.

  2. Sérgio Vaz
    Postado em 12 outubro 2008 às 1:42 am | Permalink

    Obrigado pelo comentário, Marcos. Concordo com você: o filme não perdeu a ternura e o encanto – duas coisas típicas dos filmes do diretor Mulligan, de quem sou grande fã. Me pareceu datado, apenas, no sentido de que, se tivesse sido feito mais tarde, depois dos anos 80, digamos, certamente seria muito explícito ao mostrar coisas como droga e sexo.
    Sérgio Vaz

3 Trackbacks

  1. […] cidade numa ilha, que não se diz qual é. O elenco, pequeno, não tem nenhum astro. O diretor, Robert Mulligan, que eu particularmente adoro, é experiente, mas nunca foi badalado, jamais chegou a ser […]

  2. […] Pode-se falar do tema chegando-do-interior-para-a-cidade-grande-demais de variadas formas. Pode-se mostrar isso como um imenso, amargo drama – como, por exemplo, John Schlesinger fez em Perdidos na Noite/Midnight Cowboy, o caipirão chegando a Nova York achando que vai se dar muito na vida como um feliz puto à venda para mulheres mais velhas. Pode-se contar essa história como um imenso dramalhão – como Douglas Sirk fez em Imitação da Vida, em que duas mães solitárias vindas do interior enfrentam a barra de criar suas filhas na capital do mundo. Robert Mulligan, um grande diretor muitíssimo menos reconhecido do que mereceria, mostrou a luta maluca dos que vão, chegam, não vencem, mas mesmo assim insistem em ficar, no triste A Taberna das Ilusões Perdidas/The Rat Race. […]

  3. […] As frases ditas pela protagonista feminina do filme, Kathy Seldon (interpretada pela garotinha Debbie Reynolds, lindinha de tudo), para o protagonista, o astro do cinema mudo Don Lockwood (o papel de Gene […]

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