Uma Loira de Verdade / The Real Blonde


Nota: ★★☆☆

Resenha para a revista Barbara em 1998: Uma Loira de Verdade é uma comedinha moderninha sobre os personagens periféricos do mundo da moda, TV e teatro da capital do mundo, Nova York. O diretor Tom DiCillo, incensado pela mídia americana depois de duas décadas trabalhando em produções independentes, reuniu todos os estereótipos possíveis: o ator que quer fazer teatro e despreza novela de TV e por isso vive mesmo é trabalhando como garçom em grandes festas; as gozações todas com a loura burra; o ator bem sucedido que só quer saber de mulher se for loura de verdade; o psiquiatra que é tarado pela paciente; a mulher que, de tanto ser cantada na rua, vai fazer curso de defesa pessoal… Profundo como um pires, é um passatempo agradável, com direito até a piada politicamente incorreta.

 Anotação em 1998: Comedinha fashion e glittering, passada em Nova York, no mundo do teatro, TV e moda, com todos os estereótipos possíveis: ator que quer fazer teatro e despreza novela de TV e por isso vive mesmo é trabalhando como garçom em grandes festas; as gozações com a loura burra; o homem que só quer saber de mulher se for loura de verdade; a loura burra e lindíssima que afinal se saberá que gostaria mesmo era de voltar ao que era – morena; o psiquiatra que é tarado pela paciente; a mulher que, de tanto ser cantada na rua, vai fazer curso de defesa pessoal – e, é claro, acaba dando uma surra quando o professor dá em cima dela. Tudo muito fashion, muito glittering. Com, é claro, o casal de ator que faz bicos como garçom e a moça que cuida do make up em produções de moda morando num belo apartamento em Manhattan.

Tem uma piada impagável, politicamente incorreta, que é uma delícia: nosso herói, o ator, está trabalhando na produção de um clip de Madonna, como reles figurante. Num intervalo de gravações, ouve o assistente do diretor, um negro, falar com a loura que faz cover de Madonna que leu um livro dizendo que o Holocausto foi invenção dos judeus, nunca aconteceu. Aí nosso herói diz que leu aquele livro; e que ele contava também que nunca houve escravidão nos EUA, é tudo invenção; na verdade, os negros pagaram para vir da África para os EUA, primeiro para trabalhar na colheita de algodão e depois como traficantes de crack e assaltantes. O assistente do diretor, é claro, o demite. Me pareceu a melhor coisa do filme.

Mas esse Tom DiCillo me parece ser um queridinho da mídia americana. A Premiere volta e meia fala dele. Ah, sim. Veio do cinema independente. É possível que este Real Blonde seja seu primeiro filme com grana. Vejo no Cinemania:

New York-based writer-director has worked in independent films since 1980. DiCillo began as a director of photography for independent filmmakers, most notably Jim Jarmusch for whom he shot the features Permanent vacation (1980), Stranger than paradise (1984), and the short Coffee and cigarettes (1986). DiCillo moved to directing and screenwriting with the off-beat and uneven Johnny Suede (1991). Adapting his own one-man stage show, DiCillo cast Brad Pitt as the title character, a talentless musician-with a huge pompadour-who comes to terms with the shortcomings of his life.

DiCillo developed his second feature, the comedy Living in oblivion (1995), after his original plans for a different second film fell through five times. As a fallback, he shot the first third of LI as a short in hopes of gathering financing for the second two parts (a tactic Jarmusch used to complete financing on Stranger than paradise). The result was a keenly observed, comic critique on the horrors of shoestring filmmaking with strong central performances by Steve Buscemi as the harried director and James LeGros as the “hip” selfish star of the film-within-a-film.

Uma Loira de Verdade/The Real Blonde

De Tom DiCillo, EUA, 1997.

Com Matthew Modine, Chatherine Keener, Daryl Hannah, Maxwell Caufield, Elisabeth Berkley e Kathleen Turner, Steve Buscemi e Christopher Lloyd em participações especiais.

Argumento e roteiro Tom DiCillo

Música Jim Farmer

Produção Paramount. Estreou em São Paulo 18/9/98.

Cor, 105 min.

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