O Mundo Perdido – Jurassic Park / The Lost World: Jurassic Park


Nota: ★★½☆

Resenha para a Agência Estado, em 1997: Já faz muitos anos que Steven Spielberg vem se alternando entre os filmes juvenis, de fantásticos efeitos especiais e sensacionais aventuras, e os “sérios”, os filmes em que aborda temas densos, profundos, dolorosos.

Em 1985, fez A Cor Púrpura, uma drama pesadíssimo e brilhante sobre os sofrimentos de uma mulher que é negra e feia no Sul Profundo – e por isso enfrenta todos os tipos possíveis e imagináveis de abusos. Foi indicado a 11 Oscars e não levou nenhum. Império do Sol traçou novo painel, desta vez sobre o sofrimento em um campo japonês de prisioneiros de guerra na China. Só com a obra-prima A Lista de Schindler, sobre o holocausto dos judeus nos campos de concentração nazistas, em 1991, obteve, enfim, todos os reconhecimentos da crítica e da Academia como um grande diretor de cinema, coisa que ele já era desde Encurralado, em 1971.

Pouco antes de A Lista de Schindler, no entanto, ele havia feito O Parque dos Dinossauros, a aventura que bateu todos os recordes de bilheteria nos Estados Unidos. Pobre garoto prodígio milionário: como não fazer, como se negar a filmar a seqüência de um dos maiores sucessos comerciais de cem anos de cinema? Como dizer não aos US$ 130 milhões que a Universal ofereceu? Não tinha como não fazer – e ele fez este O Mundo Perdido – Jurassic Park, que chegou às locadoras brasileiras exatamente no momento em que chegava aos cinemas americanos seu novo filme sério, Amistad, sobre a rebelião em um navio negreiro.

Amistad seguramente é um grande filme, já se pode apostar sem medo. O Mundo Perdido é uma boa brincadeira, um novo festival de maravilhosos efeitos especiais. Ótimo de ver com as crianças espalhadas em volta, pipoca e refrigerante – ou então sem crianças, tudo bem. São duas horas de gostoso entretenimento – e mais nada.

Ou, para quem quiser prestar um pouco de atenção, tem mais um pouquinho, sim. Spielberg não é de deixar nada em brancas nuvens – nem mesmo um filme oportunista, feito para gerar milhões nas bilheterias e depois nas locadoras e lojas que vendem badulaques de todos os tipos com as imagens dos personagens. Ele, que usou a última sequência de Caçadores da Arca Perdida para dizer o que pretendia, deu alguns toques em O Mundo Perdido. Está ali, clara, no meio dos dinossauros, a crítica nítida, forte, mesmo que óbvia, à ganância e às megacorporações. Está ali o alerta para que o bicho homem respeite a natureza, os animais, e, sobretudo e sobre todos, o amor materno. E mais ainda: vai ali, inoculado no meio dos truques da Industrial Light & Magic, a empresa de efeitos especiais do mago George Lucas, o sadio vírus do anti-racismo. Repare só: a filha do personagem principal é negra – sem que se tenha que dar qualquer explicação para o fato.

O Mundo Perdido – Jurassic Park/The Lost World: Jurassic Park

De Steven Spielberg, EUA, 1997.

Com Jeff Goldblum, Julianne Moore, Pete Postlethwaite, Richard Attenborough, Vince Vaughn, Arliss Howard

Roteiro David Koepp

Fotografia Janusz Kaminski

Música John Williams

Baseado no livro de Michael Crichton

Produção Amblin Entertainment, Universal

Cor, 129 min

**1/2

6 Comentários para “O Mundo Perdido – Jurassic Park / The Lost World: Jurassic Park”

  1. Estes filmes de Spielberg acho-os perfeitamente
    dispensáveis, vi-os uma única vez e chegou.
    Não penso que haja ali qualquer qualidade cinematográfica, foram feitos para ganhar dinheiro e só.
    Estes e outros do mesmo realizador.

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