Julgamento Final / Class Action


Nota: ★★★☆

Resenha para a revista Bárbara, em 1996:Julgamento Final vai bem fundo nos conflitos entre homens e mulheres na vida profissional – assim como na dimensão da coragem da mulher. Aqui, os profissionais que se enfrentam em campos opostos são filha e pai, carregando um passado cheio de profundas mágoas.

O excelente Gene Hackman faz um veterano advogado de todas as causas populares contra o poder dos governos e das grandes corporações, que defende agora um grupo de pessoas mutiladas em acidentes envolvendo o mesmo modelo de carro. Mary Elizabeth Mastrantonio, em sua melhor interpretação até hoje, é a filha yuppie do velho ativista radical dos anos 60; ela defende a fábrica de carros na ação coletiva movida pelo pai.

Ele a despreza por suas opções profissionais, o trabalho ambicioso em uma sólida firma de advocacia que só faz a defesa de empresas poderosas. Ela não o perdoa por ter dedicado pouco tempo à família durante sua juventude, e por ter seguidas vezes traído a mãe.

O diretor Michael Apted abre mão do eventual suspense para se aprofundar nos dois conflitos que se cruzam e interpenetram: a relação de amor e ódio entre pai e filha colocados em campos absolutamente antagônicos e a oposição eterna entre povo e poder, entre os que defendem a vida e os que defendem os lucros.

 

Anotação em 1996: Esta foi a primeira vez que revi o filme, que tinha visto no cinema na época do lançamento. Gostei mais do que na primeira. Class Action, do título original, é ação coletiva, em direitês americano.

Revi para resenha da revista da Laïs de Castro, e anotei alguns diálogos bem interessantes:

Jed Ward, o personagem de Gene Hackman, um velho advogado militante do bem desde os anos 60, falando sobre seu histórico de defesa de causas populares: “Agora temos esses juízes fascitas da era Reagan – se você processa uma grande corporação, você sempre perde”.

Jed Ward com a filha, advogada jovem trabalhando num gigantesco escritório para corporações gigantescas, depois que a mãe morre de embolia:

Ela: “Eu precisava de você”.

Ele: “Amor era com sua mãe. Eu estava ocupado tentando salvar o planeta.”

O pai para a filha, quando ela destrói uma das vítimas do carro mal fabricado: “Segure bem seu dinheiro, pois, sem alma ou coração, ele é tudo que você terá na vida”.

Julgamento Final/Class Action

De Michael Apted, EUA, 1991.

Com Gene Hackman, Mary Elizabeth Mastrantonio, Joanna Merlin, Colin Friels.

Roteiro Carolyn Shelby, Christopher Ames e Samantha Shad

Música James Horner

Cor, 110 min

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Um Comentário

  1. laura
    Postado em 9 dezembro 2010 às 12:26 am | Permalink

    o pior é q brigas e parentes, familiares, conhecidos JAMAIS podem interferir ou influenciar casos judiciais, o q infelizmente ocorre algumas vezes na vida real.

2 Trackbacks

  1. [...] mineiras contra o machismo, as agressões sexuais e o poder das grandes minas de Minnesota. Ou Julgamento Final/Class Action, de Michael Apted, de 1991, em que um advogado veterano nas lutas pelos direitos civis enfrenta um [...]

  2. Por 50 Anos de Filmes » O Veredito / The Verdict em 9 abril 2011 às 3:48 pm

    [...] de novos clássicos, filmes mais recentes como, por exemplo, Os Intocáveis, de Brian De Palma, ou Julgamento Final/Class Action, de Michael Apted, ou A Qualquer Preço/A Civil Action, de Steve Zaillian, ou Silkwood, de Mike [...]

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