Copycat – A Vida Imita a Morte / Copycat


Nota: ★★★½

Anotação em 1996: Um bom, competente thriller. Alguém disse que é o melhor thriller americano desde O Silêncio dos Inocentes. Pois, olha, acho que é mesmo. Redondinho, inteligente, bem up-to-date, com muita computação e internet. Logo no começo do filme, com uns dez minutos de ação, o cara faz um plano seqüência de quase três minutos – a policial intepretada por Holly Hunter entrando numa casa cena de crime, andando por vários aposentos, passando por várias pessoas – que define competência, talento.

O que o filme tem de melhor, acho, é o segundo plano do texto, o que fica por trás da ação principal – a ação principal, de resto, é boa, um serial killer copiando crimes de velhos serial killers, na ordem apresentada em conferência na universidade por uma psiquiatra especializada em serial killers, a personagem de Sigourney Weaver. Bem, mas o segundo plano do texto, que é o melhor do filme, são as relações entre o povo da polícia de San Francisco, e entre eles e a psiquiatra.

É tudo colocado de forma muito inteligente, e para platéias inteligentes, porque nada é muito óbvio, é bem subtexto, en passant – as rivalidades, as velhas relações, as novas relações, quem namora quem, que ambiciona o cargo de quem, a inveja e o despeito de toda a polícia pela shrink que ganha mais que todos eles juntos com seus livros sobre serial killers. É interessante, isso. É como se uma grande produção americana não nivelasse por baixo, como se achasse que o público poderia entender subtexto, mesmo aquele público tão acostumado a filmes que os tratam como parvos, imbecis.

A segunda melhor coisa do filme é Sigourney Weaver. Meu Deus, a mulher ainda não tem 50 anos e já é um monumento. Que mulher fantástica, fantasticamente linda, e que bela atriz. E que bom diretor que soube aproveitar até a arcada dentária dela e o jeito forte dela de falar.

 

Anotação em 2001: Embora seja absolutamente sacal a quantidade de filmes que se fazem nos Estados Unidos sobre serial killers – a proporção deve ser de dez filmes sobre serial killers contra dois  filmes sobre seres humanos normais -, não há como não gostar especialmente deste. Tudo funciona bem, tudo é redondinho. E as duas atrizes estão soberbas.

Copycat – A Vida Imita a Morte/Copycat

De Jon Amiel, EUA, 1995.

Com Sigourney Weaver, Holly Hunter, Dermot Mulroney, Harry Connick, Jr.

Roteiro Ann Biderman e David Madsen

Fotografia Laszlo Kovacs

Música Christopher Young

Cor, 123 min.

4 Comentários

  1. José Luís
    Postado em 12 outubro 2010 às 7:44 pm | Permalink

    A Sigourney Weaver e a Holly Hunter formam uma dupla excelente e eu gostei muito de ver as duas juntas – a matulona Sig e a pequenina Holly.

  2. Postado em 1 Abril 2012 às 2:50 pm | Permalink

    Também gostei muito do filme, prende a gente até o fim, não tem aquela sangueira e violência típicas de thriler de serial killers, a coisa funciona mais a nível psicológico, focando muito as sequelas da Signourey Weaver após ser atacada no banheiro e quase morta. Ela desenvolve uma agarofobia-medo de espaços abertos- e é interessante pq ela é psiquiatra e nesse contexto daria p se falar:-“médico, cura primeiro a si mesmo”, já que se trata de problema justamente em sua especialidade. E a sua dificuldade não dura um tempo reduzido, o que seria até tolerável, pois qdo o filme começa de verdade, após apresentar essa cena do ataque à psiquiatra, já se passou um ano e ele está reclusa em casa, receosa até de botar os pés fora da porta de casa para pegar o jornal. Que fobia renitente e mal tratada!
    Quanto aos serial killers q o assassino está copiando, também é um aspecto muito interessante, pois ela afirmou aos dois policiais encarregados da investigação que esse tipo de criminoso é como um robô, que repete sempre o mesmo método; porisso de início todos pensam q se trata de mais de um assassino. Mas não, é um serial eclético rsrsrs pois está imitando o estilo de serial antigos, na mesma ordem da conferência apresentada logo no início do filme pela psiquiatra. Nota-se, assim, que trata-se de uma disputa entre os dois, com o serial querendo provar a ela que é mais inteligente e capaz de cometer os crimes sem q ela o identifique nem consiga ajudar a polícia a capturá-lo.
    O final é que é tenebroso, com a repetição da situação traumática do início do filme, ela amarrada e um policial morto, mas ela é durona e o interpreta do ponto de vista psiquiátrico dizendo que ele é impotente como o serial que está imitando era “brocha” e isso, q deve ser verdade, o deixa enlouquecido.Adorei!
    Guenia Bunchaft
    http://www.sospesquisaerorschach.com.br

  3. ivan
    Postado em 27 Março 2013 às 3:02 pm | Permalink

    Um ótimo thriller de suspense. Magnifíco.
    Um bom elenco e a Sigourney e a Holly muito boas em seus desempenhos.
    Este filme me causou ao mesmo tempo agonia, aflição, nervoso,inquietude principalmente na parte final.
    E a Guenia tem razão; só tirei os olhos da tela uma única vez para ir ao banheiro e, de fato, não tem aquele banho de sangue.
    Acho que o que ela teve foi mais a síndrome do pânico. Agorafobia (segundo o dicionário)é medo que uma pessôa tem de atravessar uma rua, uma praça ou estar numa multidão.
    Ela não conseguia nem por os pés para fora do apartamento.
    Infelizmente vivi esse transtorno. Foi uma coisa muito traumática e,assim como ela,não conseguia chegar perto do portão de casa.
    Bem, não é bom lembrar.
    Um filme que vale, ver outra vez.
    Abraço, Sergio !!

  4. Pablo
    Postado em 29 Maio 2016 às 8:49 am | Permalink

    É bem por aí como o crítico observa positivamente o filme. É um bom policial que não dá atenção somente às ações do serial killer, mas também aos dramas pessoais dos protagonistas em meio ao ambiente de departamento de polícia. É um bom drama policial que, quando subestimado, vê-se que é por quem espera um novo Silêncio dos Inocentes ou um Se7en, sem analisar direito a proposta do filme. É um filme que trabalha bem a tensão vide aquela cena do parceiro de Holy Hunter como refém de um criminoso. Enfim, finalmente leio uma crítica honesta sobre o filme é desde já agradeço pois o que tenho lido de crítica são de quem não o entendeu.

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