Caminhando nas Nuvens / A Walk in the Clouds


Nota: ★½☆☆

Anotação em 1996: Primeiro filme de Alfonso Arau em Hollywood, depois do tremendo sucesso de Como Água Para Chocolate. Ele se manteve ligado ao México e às tradições de seu país, mas de alguma forma perdeu o brilho que conseguiu no filme anterior.

A história, os personagens e as situações não ajudam; são frágeis, indefinidas. Keanu Reeves faz o papel de um órfão de Illinois que chega a San Francisco no fim da guerra cheio de medalhas no peito e planos para uma vida simples com a mulher com quem casara um dia antes de embarcar para o front e para quem escrevia todos os dias. Ela nunca leu as cartas, todas empilhadinhas em uma caixa; é uma mulher frívola, que quer roupas e brilho social.

Com cinco minutos de filme, lá está nosso herói cascando fora do casamento, em um trem, não se sabe exatamente indo para onde e para fazer o que, mas logo no trem se encontra com uma chicana bem de vida, filha de fazendeiros de linhagem nobre do México, estabelecidos no Napa Valley em um vinhedo fantástico. Ela (interpretada por Aitana Sanchez-Gijon, uma mulher lindíssima, daquele tipo diáfano à la Audrey Hepburn, que se Hollywood fosse esperta não abandonaria nunca) tinha ido à universidade e se engravidado de um professor. E morre de medo de chegar em casa e ser literalmente morta pelo pai severo (Giannini, mais canastrão do que nunca). O nobre rapaz se oferece para se passar por seu marido.

Aí vêm as confusões previsíveis, o pai que o rejeita por não ter família nem tradição, o avô (Quinn, canastrão mas roubando todas as cenas) bondoso e sábio. Arrau não se define pela comédia escrachada; prefere assumir um ar de seriedade em meio à situação impensável. Há loas ao espírito alegre e comunitário entre patrões e empregados do vinhedo na colheita, que cheiram a muita naftalina. Os falsos noivos obviamente se apaixonam, e obviamente haverá o final feliz. A produção é cuidada (embora o vinhedo Las Nubes visto do alto seja do mais autêntico papelão, à la anos 40), mas é tudo meio vazio e meio bobo.

O iMDB informa que o filme se baseia em um que foi feito na Itália em 1942, em plena Segunda Guerra, 4 Passi fra le Nuvole, ou 4 passos entre as nuvens, por sua vez baseado numa história de Cesare Zavattini e Piero Tellini.

Caminhando nas Nuvens/A Walk in the Clouds

De Alfonso Arau, EUA, 1995.

Com Keanu Reeves, Aitana Sanchez-Gijon, Anthony Quinn, Giancarlo Giannini

Música Maurice Jarre

Cor, 102 min.

*1/5

Título em Portugal: Um Passeio nas Nuvens

6 Comentários

  1. Milton Silva
    Postado em 23 Fevereiro 2009 às 8:41 pm | Permalink

    Linda estória de amor. Aitana bela como sempre. Anthony Quinn, grande ator como sempre e a fotografia do filme então, coisa de paraíso. Um dos melhores filmes que assisti e assisto sempre que possível.

  2. Jussara
    Postado em 8 Maio 2009 às 11:41 pm | Permalink

    Filme água com açúcar e fraquinho toda vida. Keanu Reeves, como sempre, sofrível. Roteiro previsível.
    Aquele vinhedo é realmente fake, ficou ridículo, hahaha.

    Milton, se esse é um dos melhores filmes que vc já viu, imagina os piores, não? rs. Ai, desculpa, mas não resisti :D.

  3. Sérgio Vaz
    Postado em 8 Maio 2009 às 11:51 pm | Permalink

    Pô, Jussara, largue o pé do Milton. Gosto é gosto, uai!

  4. Jussara
    Postado em 11 Maio 2009 às 7:46 pm | Permalink

    Ah, tá bom, desculpa aê. Já diz o ditado: gosto não se discute, se lamenta, hehe.

  5. Alessandra
    Postado em 16 Maio 2010 às 2:58 pm | Permalink

    Ainda bem que a única crítica que se deve levar em consideração, pela profissionalidade e entendimento do assunto, é de um CRÍTICO, que tem condições para fazê-lo. Quanto aos LEIGOS, lamento apenas pela falta de bom senso e sensibilidade. Enfim…, Milton, fico feliz em ver que ainda existem pessoas de bom gosto e sensibilidade como vc. Realmente o filme é maravilhoso. E ouso dizer que marcou a minha vida. Bjus.

  6. Ivan
    Postado em 24 dezembro 2012 às 11:00 am | Permalink

    De fato,o filme é previsível,sabe-se o que vai acontecer.Mas,a história é bonita só perde para a beleza da Aitana,linda demais.
    O filme vale mesmo,pela presença desse magnífico Anthony Quinn (grande Zorba),e também por esse talento que é Giancarlo Giannini.
    “Variety”,não sei se é uma revista,descreveu o filme como sendo um brilhante romance de conto de fadas.Enquanto que Roger Ebert crítico e roteirista classificou-o como uma fantasia romântica gloriosa.
    O filme tem algum mérito afinal,ganhou o Globo de Ouro de melhor trilha sonora.
    Em compensação foi indicado ao Framboesa de Ouro na categoria Pior Ator (Keanu Reeves).
    Um abraço,Sergio.

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