
Nota: 



Anotação em 1996: Não me lembro de ter ouvido falar deste filme que tem mais de 60 anos e é dirigido por George Stevens, que sempre admirei, desde quando, garoto, vi Assim Caminha a Humanidade/Giant. E é difícil entendê-lo agora. Quer dizer: não consigo ter idéia do que ele possa ter representado, 60 anos atrás.
Seria assim, talvez, uma versão 200 mil vezes mais light, mais leve, menos amarga, menos violenta, de Uma Tragédia Americana, que o próprio George Stevens filmaria em 1951, 16 anos depos, portanto -
ele próprio, o filme Um Lugar ao Sol, uma imitação pálida, light, do pesadíssimo panfletaço do escritor Theodore Dreiser sobre a tragédia do classismo, da disparidade entre as classes sociais nos Estados Unidos.
Esta aqui é uma história sobre o classismo, sim, a neurose provocada pelas diferenças de classe, a necessidade eterna do pobre de querer ascender, ou esconder que está abaixo, ou fingir que está acima. Mas aqui nada é chocante, nada é violento, nada é profundo; é tudo edulcorado, é tudo envolto em cetim, é tudo amaciado, e o bom rapaz rico aceita de bom grado a pobre moça que faz de tudo para parecer que não é tão pobre quanto na verdade é. Algo assim como uma fábula que termina com a seguinte moral: mas os verdadeiros valores estão acima das diferenças de classe. Mas qualquer um que não saiba quem é o Stevens poderia interpretar a seguinte moral: é isso, alpinistas sociais, vão em frente que vocês têm boas chances.
Mas, porra: o Frank Capra já ia 200 mais fundo do que isso, na década de 30.
Katharine Hepburn está belíssima aos 28 anos (ou 26, já que há dúvidas sobre se ela nasceu em 1907 ou 1909). E trabalha bem pra caralho. Mas o personagem parece hoje tão babaca – embora tão comum – que é difícil gostar dela.
Vejo no Cinemania: este foi o quinto filme dirigido por Stevens; ele fez o primeiro em 1933, nada menos que três filmes em 1934, e depois este. Pauline Kael informa que a versão anterior desta história, de 1923, dirigida por King Vidor, tinha um final mais realista.
A Mulher que Soube Amar/Alice Adams
De George Stevens, EUA, 1935.
Com Katharine Hepburn, Fred MacMurray, Fred Stone, Evelyn Venable, Ann Shoemaker, Frank Albertson, Hattie McDaniel, Charley Grapewin, Grady Sutton, Hedda Hopper
Roteiro Dorothy Yost, Mortimer Offner e Jane Murfin
Baseado em romance de Booth Tarkington, vencedor do Pulitzer.
P&B, 99 min


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