
Nota: 



Anotação em 1995: O filme se baseia em fatos verídicos – a estranha amizade que surge, numa pequena ilha da Itália, em 1953, entre um carteiro que mal sabe ler e o poeta Pablo Neruda, que o governo italiano aceitou como exilado do Chile desde que ficasse quieto em lugar distante e não perturbasse.
Massimo Troisi está brilhante como sempre em seu último filme (morreu em 1994, mesmo ano de produção do filme, do coração, absurdamente jovem – tinha apenas 41 anos). A música, muito boa, é do Bacalov, que fez Os Saltimbancos. A fotografia é linda, e as paisagens são espetaculares.
Mas a maior grandeza do filme é a ternura com que lida com a amizade tão improvável entre o poeta e o iletrado, entre o comunista das letras e o simplório homem do povo. Para conquistar Beatrice (o nome, claro, remete a Dante), o carteiro diz para ela versos que Neruda escreveu para sua própria mulher; o poeta diz a ele que ele roubou, ao que ele responde, no que talvez seja o diálogo mais brilhante num filme de ótimos diálogos: Eu não roubei; a poesia é de quem precisa dela, e eu precisava. E o comunista Neruda diz: É, é uma forma interessante de apropriação de um bem.
O filme é extremamente poético, engraçadíssimo às vezes e de chorar em poucas. Dei umas choradinhas.
O Carteiro e o Poeta/Il Postino
De Michael Radford, Itália-França, 1994.
Com Massimo Troisi, Philiippe Noiret, Maria Grazia Cucinotta, Linda Moretti
Baseado no romance Ardiente Paciência, do chileno Antonio Skarmeta
Música Luis Enriquez Bacalov
Cor, 108 min.