Mamãe é de Morte / Serial Mom


Nota: ★★★☆

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Este é o que se poderia, com toda a propriedade, chamar de filme de humor corrosivo. O humor é tão negro quanto corrosivo. É um pau violento, escrachado, na sociedade americana, na sua adoração pela violência, no culto aos filmes de violência e às pessoas violentas, no culto à mídia, até no culto pelo politicamente correto (não reciclar lixo, por exemplo, é pior do que assassinar).

Kathleen Turner é a alma do filme, e está extraordinária como Beverly Sutphin, uma perfeita dona de casa da classe média, que gosta de cozinhar, mantém sua casa num belo subúrbio imaculadamente limpa, ama seu marido (Sam Waterston) e os dois filhos adolescentes. Beverly só tem um probleminha: se alguém ameaça a felicidade de seu lar, doce lar – ou, na cabeça dela, parece ameaçar – ela mata.

E, para proteger seus filhinhos e a felicidade do seu lar, doce lar, ela mata um, dois… sete – daí o delicioso título original, Serial Mom. (O título para o Brasil, Mamãe é de Morte, também foi um bom achado.) Aliás, uma das deliciosas piadas do filme é quando um dos filhos chega em casa e comenta que há um boato de que um serial killer está agindo na cidade, e a serial mom Beverly responde rindo algo do tipo: cereal, só conheço os matinais.

Na apresentação, ou créditos iniciais, aparece escrita a seguinte deliciosa gozação com o que muitos filmes dizem: “Este filme é uma história real. O roteiro foi baseado em testemunhos jurados em um tribunal e centenas de entrevistas feitas pelos autores do filme. Alguns dos nomes de personagens inocentes foram modificados em respeito a uma verdade maior. Ninguém envolvido nos crimes recebeu qualquer forma de compensação financeira”.

zzserial1John Waters é um realizador totalmente à parte de todos os demais tipos de cinema americano. É absolutamente único, singular. É punk, como sucintamente o define o Dicionário de Jean Tulard; é o rei do trash, do underground, como adiciona Rubens Ewald Filho; seu humor é agressivo, escatológico, fedido; ele ri da violência, do sexo, do medo, de tudo. Uma figura

O iMDB diz que a escolha original para fazer a personagem de Beverly foi Susan Sarandon, mas ela pediu um salário alto demais para um filme de orçamento baixo (orçamento baixo é uma das características dos filmes de John Waters). Susan Sarandon teria feito uma ótima Beverly, imagino; mas ainda bem que ela pediu muito, porque Kathleen Turner – que tinha sido a sensualíssima femme fatale de Corpos Ardentes, de Lawrence Kasdan, de 1981, e dado voz à igualmente sensual coelhinha Jessica em Uma Cilada para Roger Rabbit, de Robert Zemeckis, de 1988 – está esplêndida no papel.

Mamãe é de Morte/Serial Mom

De John Waters, EUA, 1994.

Com Kathleen Turner, Sam Waterston, Ricki Lake, Tracy Lords, Matthew Lillard

Argumento e roteiro John Waters

Cor, 95 min.

7 Comentários para “Mamãe é de Morte / Serial Mom”

  1. maravilhoso além de curioso pois mostra uma assassina serial em seus dias de gloria por motivos tórridos e como ela foi aclamada por grande parte da sosciedade mostra verdadeiramente como o povo guardava um ódio secreto e vontade de ter ”um dia de fúria”(quem viu o filme vai entender)um ótimo filme que tem humor(negro mas ainda sim humor)ação,verdade e vejam só reciclagem ,sem duvida um filme completo

  2. A gente pode notar que apesar dos crimes terriveis que a mãe assassina cometeu ela foi absolvida no final. Respeitando a opinião de vocês eu não achei o final nem um pouco divertido. considerar este filme ótimo é o mesmo que ser a favor da impunidade para crimes hediondos. Kathleen turner é uma grande atriz, mas a personagem que ela interpretou é um verdadeiro monstro.

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