Extreme Close-Up

Nota: ★★☆☆

Anotação em 1995: Estávamos zapeando quando o filme começou, e vimos sem qualquer referência. Com dez minutos de filme, defini que era uma mistura de Blow Up, de Antonioni, com sexo, mentiras & videotape, de Sorderbergh.

É a história de um adolescente perturbado, neurótico, chato, que tem uma ligação fortíssima com a mãe (Blair Brown) e nenhuma ligação com o pai, o irmão e a irmã mais novos. Como o fotógrafo de Blow Up, ele não vê o mundo, ele filma – quer dizer, ele vê a vida apenas através dos filmes que faz com a filmadora e depois vê e monta na televisão e no videocassete.

Quando o filme começa, sua mãe havia acabado de morrer – e ele passa a montar e remontar seus filmes antigos na tentativa de entender o que acontecia na sua família. Dentro da sua cabeça, a mãe foi levada à morte pelo pai. Só no final, ao rever a fita que fez no momento da morte da mãe, ele entende e admite que ela era uma neurótica, incapaz de ser feliz, e que havia se matado.

O final é apressado, tenta resolver todos os zilhões de conflitos familiares apresentados ao longo de todo o filme em menos de três minutos. Mas, até esses três minutos finais que encaminham pro happy ending, a narrativa é muito bem conduzida, fisga totatalmente o espectador. Algum semiótico de plantão poderia filosofar sobre a alienação de uma juventude forçada pela sociedade a adorar aparatos tecnológicos. OK.

O filme (vi depois) foi feito para a TV, por um diretor que não tem filmes feitos para o cinema. A atriz Blair Brown (que só aparece nas fitas filmadas pelo filho) é a que fez Continental Divide, uma interessante comédia de 1981, e trabalhou no One-Trick Pony, a experiência de Paul Simon na direção, em 1980. É uma canadense nascida em 1948 que se dedica mais ao teatro e à TV que ao cinema. A também boa atriz que faz a adolescente que se envolve com o personagem central deve ser a Samantha Mathis; é muito interessante.

Eis a resenha do Maltin: “Adolescente tenta compreender a morte de sua mãe num acidente de carro através dos vídeos familiares que ele grava quando a família estava toda junta. Uma história corriqueira que recebe um tratamento interessante de vídeo amador e uma reviravolta, em que Brown é vista apenas nas fitas de seu filho. A maior parte das pessoas envolvidas na produção (inlcusive o diretor Horton) é de alunos de TV na faixa dos 30 anos de idade”.

Extreme Close-Up

De Peter Horton, EUA, 1990. Feito para a TV

Com Blair Brown, Craig T. Nelson, Morgan Weisser, Samantha Mathis, Kimber Shoop, Kerrie Keane, Richard Libertini

Roteiro Marshall Herskovitz

Baseado em história de Marshall Herskovitz e Edward Zwick

Música James Horner

Cor, 93 min.

Postar um Comentário

O seu email nunca é publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados com um *

*
*